Brasil desiste de integrar equipe de observadores eleitorais após Venezuela barrar Nelson Jobim

Nelson Jobim participa de reunião da Unasul em Lima. 12/5/2011. (REUTERS/Pilar Olivares)
Nelson Jobim participa de reunião da Unasul em Lima.  12/5/2011. (REUTERS/Pilar Olivares)
Nelson Jobim participa de reunião da Unasul em Lima. 12/5/2011. (REUTERS/Pilar Olivares)

O governo brasileiro desistiu de participar de uma missão internacional para observar as eleições parlamentares da Venezuela em dezembro porque o governo venezuelano rejeitou a escolha do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim para liderar a equipe.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou nesta terça-feira que a Venezuela recusou a escolha de Jobim, que já foi ministro da Justiça e da Defesa em governos diferentes, para dirigir a missão observadora da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), apesar de amplo apoio dos 12 países membros.

O anúncio é um duro golpe para o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que se beneficiou do apoio diplomático do Brasil em momentos delicados, incluindo a sua contestada eleição de 2013 e uma onda de protestos da oposição em 2014.

A eleição parlamentar de 6 de dezembro é vista como um dos pleitos mais difíceis para o Partido Socialista enquanto o país luta contra uma inflação descontrolada e uma economia em recessão.

O TSE afirmou que pretendia observar as condições antes da eleição para garantir a igualdade de condições, mas as autoridades da Venezuela impediram o acesso a uma auditoria do seu sistema eletrônico de votação.

“Em razão dos fatores acima referidos, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que não participará da missão da Unasul às eleições parlamentares venezuelanas”, afirmou o órgão em comunicado.

A Venezuela tem reduzido nos últimos anos o papel dos observadores eleitorais estrangeiros. Em vez disso, tem recebido missões menores de “acompanhamento” que tiveram menos acesso aos dados eleitorais.

Autoridades consideram a decisão uma questão de soberania nacional, enquanto que os adversários insistem que se destina a reduzir a transparência das eleições.

Para o analista de questões venezuelanas David Smilde, Jobim teria dado credibilidade internacional à eleição.

“É uma notícia muito ruim”, disse ele. “Jobim foi proposto pelos ministros das Relações Exteriores da Unasul. Agora (o governo venezuelano) não pode dizer que a sua soberania estava em jogo, ou que os Estados Unidos estavam impondo sua agenda.” (reuters.com)

por Anthony Boadle

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