Aumento de focas em Angola associado à mudança de comportamento migratório

Filomena Vaz Velho - Directora Geral do INIP (Foto: Gaspar Dos Santos/Arquivo)
Filomena Vaz Velho - Directora Geral do INIP (Foto: Gaspar Dos Santos/Arquivo)
Filomena Vaz Velho – Directora Geral do INIP (Foto: Gaspar Dos Santos/Arquivo)

A directora geral do Instituto Nacional de Investigação Pesqueira (INIP), Filomena Vaz Velho, explicou que uma das causas do elevado número de focas na costa sul de Angola (Namibe) tem a ver com a variabilidade climática registada na última década.

Nas últimas décadas registava-se uma migração cíclica das colónias, mas, actualmente, dado o número de crias nas diferentes colónias, muitas delas são consideradas residentes.

A directora fez esta apreciação quando falava à Angop a propósito do aumento de focas na costa sul de Angola o que tem resultado num conflito pelo pescado entre esta espécie animal e pescadores.

A responsável fez saber que para se fazer um plano de gestão da espécie, para a região da Corrente Fria de Benguela, a Comissão da referida corrente (BCC) em colaboração com os países membros estabeleceu, em 2006, um programa de monitorização para contagem do número de colónias de focas, o que está a ser feita por faixa etária (crias e adultos).

Este programa é bienal, com equipas a sobrevoar a região. Actualmente estão a ser processados os últimos dados, referiu Filomena Vaz Velho, lembrando que a última estimativa do cruzeiro, realizado em 2011, apontava para uma população de 28 mil focas

“Os resultados mostram um aumento de colónias de focas, elevando a competição pelo pescado com os pescadores, uma vez que as focas necessitam de consumir uma grande quantidade de pescado diário para manter o equilibro térmico” – elucidou.

A directora referiu que, além do programa da contagem, o INIP recolheu dejectos das focas para ter um indicador das preferências alimentares e estudar o impacto destes mamíferos marinhos na abundância dos principais recursos pesqueiros.

Sobre a solicitação da associação de pescadores do Namibe para o abate de focas, por estarem a consumir elevadas toneladas de peixe, a responsável disse existir o Decreto Presidencial que aprova as Medidas de Gestão das Pescarias Marinhas, da Pesca Continental e da Aquicultura e prevê a eliminação destes animais, tendo em conta o equilibro do ecossistema.

Ressaltou que apesar de estar legislado o abate de focas, o Ministério das Pescas nunca implementou esta medida.

Sobre a pesca da sardinha e carapau neste período, recomendou a precaução.

“Apesar de se estar na altura da captura do carapau e da sardinha, os pescadores e os armadores devem respeitar as restrições de precaução destas espécies, que passam pelo controlo do máximo de captura admissível, períodos de veda, com delimitação das áreas de pesca, entre outras, de forma a preservar a evolução deste pescado” – detalhou.

Para controlar a coabitação entre as espécies marinhas, as populações que habitam à costa, bem como os frequentadores do mar, salientou que existe a necessidade de se implementar a gestão integrada com base no ecossistema, estabelecendo-se quotas, traçando-se princípios para melhorar a convivência.

Realçou que, no caso de Angola, não há grandes conflitos porque a fiscalização tem feito bem o seu trabalho na sensibilização e responsabilização dos prevaricadores.

Sobre os limites de actividades, adiantou, que estão bem estabelecidos. (portalangop.co.ao)

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