Aumenta a pressão sobre Cavaco Silva, dentro e fora de portas

(Negocios)
(Negocios)
(Negocios)

Marcelo Rebelo de Sousa deixou recados claros ao Presidente da República: Governo de gestão é uma péssima ideia. Outros candidatos a Belém também dão a entender que não seguiriam este caminho.

O discurso de Cavaco Silva não parece ter agradado a muitas pessoas fora da Rua de São Caetano à Lapa. Nos últimos três dias, foram várias as críticas que se fizeram ouvir ao Presidente da Repúblicas. Algumas de fontes inesperadas, como é o caso do candidato da direita à Presidência.

Marcelo Rebelo de Sousa foi o crítico mais surpreendente, deixando também em aberto se dissolverá a Assembleia da República caso seja eleito. “Não há dissoluções do parlamento anunciadas […] No que depender de mim, tudo farei para tentar não onerar o meu sucessor com problemas evitáveis relativamente ao exercício dos poderes do Estado”, afirmou em Lisboa, citado pela Lusa.

E quanto à possibilidade de Cavaco Silva não dar posse a um Governo do PS apoiado à esquerda, favorecendo um Governo de gestão PSD/CDS? Marcelo não é fã. Governar nesta altura em duodécimos não é boa ideia. “Não é bom para um país saído de uma situação de crise ter de viver seis meses sem Orçamento do Estado, o que implica um Governo em plenitude de funções”, sublinhou. “O Presidente da República deve fazer tudo o que está ao seu alcance para obter governos viáveis e duradouros, envolvendo orçamentos de Estado”, já que, “o Orçamento do Estado é vizinho da constituição do Governo”.

Não foi o único candidato à Presidência a deixar recados a Cavaco Silva. Maria de Belém notou que o Presidente não pode “condicionar nunca a actuação do Parlamento”, enquanto Sampaio da Nóvoa disse que, se fosse eleito, indigitaria quem fosse capaz de apresentar uma “maioria parlamentar sólida”, seja ela “de direita ou de esquerda”.

O social-democrata Pacheco Pereira disse que Cavaco Silva “fez uma declaração de guerra a 2,7 milhões de portugueses”; o constitucionalista Jorge Miranda considerou que o discurso do Presidente foi “excessivo”; e até José Sócrates quis criticar o seu antigo adversário político.
Logo na sexta-feira, Jerónimo de Sousa marcou o tom das críticas. “Cavaco Silva exorbitou funções”, afirmou o líder do PCP, acusando o Presidente de se assumir como “representante do PSD e do CDS em Belém”, dando “voz a concepções anti-democráticas”. Sábado, Catarina Martins seguiu a mesma linha, apontando que Cavaco Silva se isolou “dos milhões em Portugal que, da esquerda à direita, acreditam na democracia” e que, “quer queira, quer não queira, vai ter de viver com uma solução de governo que respeite […] a democracia”.

As reacções da imprensa internacional
Também esta sexta-feira, o Telegraph escrevia que Portugal “entrou em águas políticas perigosas”. Pela primeira vez desde a criação do euro, apontava o jornal britânico, “um Estado-membro tomou passos explícitos para proibir partidos eurocépticos de serem governo, com base num argumento de interesse nacional”.

Já o norte-americano Huffington Post deixava uma crítica no sábado: “quando os eleitores de um país europeu desafiam as políticas de austeridade, a união monetária – e os credores internacionais que representa – têm prioridade.” (jornaldenegocios.pt)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA