António Costa diz que “há margem para aproximar posições e reduzir divergências” com o BE

(Miguel Baltazar/Negócios)
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O secretário-geral socialista referiu-se ao encontro com os bloquistas como uma “reunião interessante” que permitiu perceber que “há margem para aproximar posições e reduzir divergências” entre os dois partidos. Costa garante ainda haver espaço para um “entendimento sólido e estável” de governação.

No final do primeiro encontro entre o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda, António Costa começou por dizer que se tratou de uma “reunião muito interessante”. No entanto, apesar de não proferir declarações definitivas, o secretário-geral socialistas reconheceu que a reunião desta manhã com os bloquistas permitiu perceber que “há margem para aproximar posições e reduzir divergências”.

Nesse sentido, António Costa revelou que “foram identificados um conjunto de matérias que podem dar suporte a um entendimento sólido e estável” de governação. E se a porta-voz do Bloco, Catarina Martins, afirmou, logo após as declarações de António Costa, que “temos hoje as condições para termos um Governo e um orçamento dentro da Constituição da República, depois de quatro anos de uma direita que não soube nunca respeitar a lei-fundamental do país”, o líder do PS preferiu assinalar haver margem “que permita trabalharmos neste novo quadro parlamentar” resultante das eleições de 4 de Outubro.

As diferenças entre o PS e o BE no que a um programa de Governo diz respeito já eram conhecidas e foram desta feita reiteradas pelo próprio líder socialista. Quanto ao mais, Costa garante que será desenvolvido “trabalho técnico que permita limar divergências e alargar aquilo que possa ser a base de sustentação de uma solução governativa estável para o país”.

As diferenças do Bloco face ao PS foram apontadas por Catarina Martins ainda durante a campanha eleitoral e Costa lembrou isso mesmo quando assinalou que “o BE já tinha tornado públicas as condições em relação ao nosso programa”. Na TVI, durante o frente-a-frente com o líder do PS, a bloquista garantiu que se o PS desistir da “ideia de cortar 1.660 milhões de euros nas pensões, abandonar o corte da TSU (Taxa Social Única) e abandonar esta ideia de um regime conciliatório, que é uma forma de flexibilização dos despedimentos, no dia 5 de Outubro eu cá estarei”.

Não foi 5 de Outubro, mas esta segunda-feira, 12 de Outubro, o dia que permitiu a bloquistas e socialistas aproximarem posições tendo em vista aquilo que António Costa hoje designou de “Governo que corresponda à vontade popular” e garanta a “mudança política no respeito escrupuloso do quadro constitucional”.

“[Será desenvolvido] trabalho técnico que permita limar divergências e alargar aquilo que possa ser a base de sustentação de uma solução governativa estável para o país.” (António Costa)

“Há um conjunto de matérias onde os programas já eram coincidentes”, notou o secretário-geral do PS em resposta aos jornalistas presentes da sede bloquista na Rua da Palma. Todavia, “é necessário aprofundar” essas matérias, que preferiu não “esmiuçar” o teor e alcance das mesmas.

Ainda assim, António Costa aproveitou para recordar um dos objectivos principais dos socialistas e que, por sua vez, é também uma das premissas defendidas pelo BE. “O meu objectivo é o da recuperação dos rendimentos das famílias portuguesas, em especial das famílias com mais baixos rendimentos”, apontou.

No entanto, Costa quis frisar ser impreterível “ver como é possível reduzir o grau de divergência” entre as duas formações partidárias, explicando haver várias soluções para os problemas cuja identificação é mútua. “Nós propúnhamos umas [soluções], o Bloco outras”, disse o líder socialista que afiança novamente haver “margem para aproximar posições e reduzir divergências”.

Costa lembra que cabe ao PSD a responsabilidade de formar Governo

Apesar da disponibilidade demonstrada pelo BE para apoiar um Executivo liderado pelos socialistas, mas também pelo PCP, com Jerónimo de Sousa, líder comunista, a dizer que o PCP está preparado “para assumir todas as responsabilidades, inclusive governativas”, António Costa sublinhou que “o PSD tem o maior grupo parlamentar” pelo que é aos sociais-democratas a quem cabe o ónus de tentar formar Governo.

Mas Costa lembra que, faltando ainda contabilizar os quatro mandatos relativos à emigração, há “um novo quadro parlamentar que traduz uma enorme vontade de mudança e que, infelizmente, essa mudança política ainda não se traduziu numa maioria de Governo”. E confrontado com a ausência de “condições de governabilidade”, António Costa reiterou ainda que o PS não irá apoiar a criação de “maiorias negativas” e anunciou que “não poderemos votar as moções de rejeição já anunciadas [pelo BE e pelo PCP no caso de tomar posse um Governo PSD/CDS] sem que haja alternativas”.

Por isso é “prematuro dizer que esse acordo é possível, mas há condições para que esse acordo seja possível”, insistiu António Costa que, porém, lembra ser ainda necessário “ouvir o que a coligação tem a dizer”. Depois do passa-responsabilidade da passada sexta-feira, com PS e PSD/CDS a criticarem a outra parte por não ter apresentado nenhuma proposta, os partidos de Passos Coelho e Paulo Portas ficaram de enviar para o Largo do Rato um conjunto de medidas para os socialistas analisarem.

Mas “a coligação ainda não enviou os documentos que ficou de enviar”, revelou António Costa que acrescentou ter “a indicação de que o fará durante a tarde” desta segunda-feira. Ora, este atraso por parte da coligação fará com que a Comissão Política socialista já não reúna amanhã, 13 de Outubro.

O secretário-geral do PS adiantou que só depois de nova reunião com as representantes da coligação “estarei em condições de apresentar [à Comissão Política socialista] uma proposta sobre o caminho a seguir”. Foi a Comissão Política a encarregar António Costa de “estabelecer contacto com todas as forças políticas” com assento parlamentar e é a este órgão que cabe a responsabilidade de “determinar os caminhos a seguir”. Costa explicou ainda que um eventual referendo interno sobre qual a solução governativa a adoptar é uma decisão que cabe também em exclusivo à Comissão Política.

Ainda esta tarde, a delegação socialista, que integra ainda Mário Centeno, Carlos César, Pedro Nuno Santos e Ana Catarina Mendes, vai reunir-se com os representantes do PAN que elegeram um deputado nas últimas eleições. Depois, às 16h, António Costa será recebido pelo Presidente da República, Cavaco Silva. (jornaldenegocios.pt)

por David Santiago

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