Angola. Câmbio oficial versus paralelo com spread de 50%

(OPAIS)
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A tensão no mercado cambial angolano mantém-se elevada, frisa o mais recente relatório do banco BAI Europa, a que o OJE Digital teve acesso. No documento é defendida a recalibragem das medidas de política cambial, monetária e orçamental.

Refere uma informação da instituição que a referida tensão no mercado de câmbios se traduz “em prazos longos de espera para a cobertura cambial necessária à liquidação de operações de mercadorias, de invisíveis correntes e de capitais, bem como um elevado spread entre as taxas de câmbio oficial e do mercado paralelo”.

O BAI fala de um paradoxo que existe em Angola, pois a Autoridade Monetária (banco central angolano) atuou com intensidade e coerência, o que deveria ter induzido a um abrandamento significativo da atividade económica. Isto deveria significar que haveria uma necessidade menor de divisas e, logo uma tensão mais esbatida no mercado cambial, que é o mesmo que dizer que a diferença de câmbio entre o oficial e o paralelo não deveria ser tão acentuada.

Mas as medidas não estão a ter o impacto esperado pelas Autoridades e os analistas do BAI acreditam que uma das razões é a dificuldade em executar as medidas de contenção da despesa pública, em particular do investimento. Com efeito, continuam em andamento muitos projetos de investimento, caso de infraestruturas, e que cuja suspensão ou abandono acarretariam elevados custos para o Estado.

Há também a justificação técnica com o desfasamento entre a tomada de medidas na área monetária e a produção de efeitos. E, claro há uma redução drástica do abastecimento de divisas ao sistema bancário, com menos vendas por parte do banco central, e que alimenta a especulação.

O BAI acredita que as autoridades terão de recalibrar as medidas de política nas áreas orçamental, cambial e monetária, caso a situação persista. (oje.pt)

Vítor Norinha/OJE

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