Agência Fitch rebaixa nota do Brasil

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País mantém grau de investimento, ou seja, é considerado bom pagador, mas está a um passo de perder essa classificação. Tendência para a próxima avaliação da nota é de queda.

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou nesta quinta-feira (15/10) a nota de crédito do Brasil de BBB para BBB-, o último degrau do chamado “grau de investimento”, que designa os países considerados bons pagadores de suas dívidas. A perspectiva, porém, foi definida como negativa, o que significa que a tendência para a próxima revisão da nota é de queda.

Como causas do rebaixamento, a agência citou o aumento do peso da dívida pública, os “crescentes desafios” da consolidação fiscal e a queda do crescimento econômico, além da instabilidade política.

A Fitch afirmou que o “ambiente político difícil” emperra o progresso da agenda legislativa do governo e cria reações negativas na economia. “O mau desempenho fiscal e econômico deverá persistir, enquanto as incertezas políticas podem continuar a pesar sobre a confiança” no país, atrasando o retorno do crescimento e do acréscimo de investimentos e “aumentando os riscos em médio prazo para a consolidação fiscal, necessária para a estabilização da dívida”.

Segundo a agência, o impacto antecipado da recessão econômica nos rendimentos do governo, a dificuldade de implementar medidas de compensação e o panorama político conturbado “enfraquecem a consolidação da estratégia fiscal”.

O aprofundamento da recessão, a queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff e o risco de impeachment, além das tensões entre o governo e o Congresso e a extensão das investigações do escândalo da Petrobras geram um ambiente político “nebuloso” e criam “desafios de credibilidade e incertezas políticas”, prejudicando as reformas necessárias para melhorar as perspectivas fiscais e de crescimento, diz a Fitch.

Outro ponto negativo ressaltado pela agência foi o orçamento de 2016 submetido pelo governo, que inclui metas fiscais demasiadamente baixas. A Fitch projeta que o deficit do governo deverá se deteriorar e chegar perto de 9% do PIB em 2015.

Entretanto, a agência aponta que a “capacidade de absorção de impactos” do Brasil é impulsionada pelas “robustas reservas internacionais”, além de um sistema bancário adequadamente capitalizado e taxas flexíveis de câmbio.

Para a agência, o Brasil tem demonstrado “alguma habilidade para correção de curso frente a condições econômicas difíceis”. (dw.de)

RC/rtr/ots/efe

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