Um homem contra “o monopólio dos partidos”: é a luta de Marinho e Pinto

(D.R)
(D.R)
(D.R)

Mais do que a sigla do Partido Democrático Republicano, é o líder, Marinho e Pinto, que se dá a conhecer nas ruas. Com o partido, recém-formado, o ex-bastonário dos advogados lidera uma cruzada pela abertura do regime à cidadania

O cheiro a capoeira não deixa que se sinta a frescura das frutas e legumes da banca da frente. Marinho e Pinto segue compenetrado, na dianteira, mas não resiste a responder a um comentário ouvido nas filas de trás: “Ai, estão aí coelhos? Coelho é prò tacho.” É a risada geral. O presidente do Partido Democrático Republicano (PDR) está em casa no Mercado Municipal de Leiria: distribui beijos e apertos de mão, panfletos eleitorais (“a propaganda é como o colesterol, há a boa e a má”) e dois dedos de conversa, entre quem o conhece da televisão e vai aprendendo a soletrar a sigla do seu partido. O PDR, recém-formado e focado nos valores de liberdade, justiça e solidariedade, tenta chegar ao Parlamento, com promessas de mudança e de combate à “partidocracia que se instalou na política portuguesa”.

António Marinho e Pinto é a figura em torno da qual se une o partido. É ele – ex-bastonário dos advogados, comentador televisivo, eurodeputado (eleito pelo MTP, com o qual entrou em choque) – o rosto mediático que faz aproximarem-se os potenciais eleitores que ainda mal conhecem o PDR. “Gosto muito deste senhor”, “aqui parece mais magro do que na televisão”, dizem-lhe, como na visita a Leiria, que o DN acompanhou anteontem. E ele vai passando o discurso.

O combate é contra “os partidos que cartelizaram a política” portuguesa. “Não podemos ter partidos a exercerem um monopólio férreo sobre a atividade política”, frisa o líder do PDR, em declarações ao DN. E apresenta um projeto de mudança: a criação de um Parlamento com duas câmaras, em que metade dos deputados seriam eleitos pelo método proporcional, em listas dos partidos, e a outra metade seria votada em círculos uninominais a que poderia concorrer qualquer cidadão, de forma autónoma. “Queremos que os cidadãos possam dar o seu contributo”, destaca.

No caso do PDR é o cidadão António Marinho e Pinto que lidera as hostes. Mas o dirigente rejeita que o novo organismo seja apenas um veículo para as suas ambições políticas. “Não há barriga de aluguer. Esta é uma campanha cívica para abrir a democracia à cidadania. Este é um partido genuinamente democrático e republicano, que apresenta ao povo português um projeto de reforma/refundação da República”, diz.

Ainda assim: o eurodeputado é claramente o rosto do PDR, visível em cada adereço de uma campanha financiada a custo (sem empréstimos bancários, o partido vive dos apoios e donativos dos cerca de 5000 militantes). E nem a hipótese de não conseguir ser eleito deputado o abala (concorre por Coimbra, quando as sondagens só apontam a possibilidade de os democratas republicanos elegerem por Lisboa e Porto). “Não, não o temo. Em política temos de correr riscos. Eu sou de Coimbra, vivo e trabalho lá há 45 anos. Os carreiristas é que não correm riscos e preferem concorrer por distritos que não são os deles”, aponta.

Para além da luta contra o “carreirismo político”, a voz de Marinho e Pinto levanta-se pelo “combate sem tréguas à corrupção”. Essa é outra das bandeiras do PDR, que – entre propostas económicas próximas da esquerda e ideais sociais mais próprios da direita – recusa-se a assumir um posicionamento ideológico. A criação de dois novos ministérios, o da Mulher e da Família e o das Comunidades Portuguesas, também está em destaque no programa do novo partido, por entre promessas de facilitar o acesso dos cidadãos à educação, à saúde e à justiça.

São essas ideias que o eurodeputado vai repetindo a quem se cruza com ele, como na ação em Leiria. E, no apelo ao voto, por um instante, o foco sai dele: “Quem muda o país não sou eu, são vocês no dia 4. (dn.pt)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA