Só comes e bebes enchem a campanha de Passos e Portas

(D.R)
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No dia em que Passos Coelho cantou Amigos para Sempre, ao lado de Paulo Portas, as arruadas no distrito onde já foi cabeça de lista, Vila Real, não foram tão concorridas como há quatro anos.

Almoços e jantares sempre esgotados. Muitas vezes, garantiu ao DN um responsável da organização da “maratona” Portugal à Frente, a obrigar “a procurar na véspera locais com mais capacidade”. Desde o primeiro dia que estes eventos, que resultam da mobilização local dos partidos, estão sempre esgotados.

Ontem em Mirandela, ao almoço, e em Valpaços, ao final de tarde, quase dois mil apoiantes degustaram, primeiro, rancho, depois, dobrada, enquanto ouviam os seus líderes. Em contrapartida, os “contactos com a população”, nome dado na agenda da campanha às “arruadas”, não têm assim tanta adesão.

Na quarta-feira, em Arcos de Valdevez, a pequena praça central, até encheu de apoiantes, mas ontem, em Mirandela, Vila Pouca de Aguiar e Chaves, nunca o número da massa humana que seguia na rua Passos Coelho e Paulo Portas ultrapassou as 200 pessoas e sempre apoiantes, de bandeira em punho, dos partidos da coligação.

“Agradecemos a toda a gente que aqui veio, ainda mais num dia de semana e à hora de trabalho”, disse Portas em Vila Pouca de Aguiar, perante pouco mais de uma centena de locais. Talvez por se ter consciência de que nada está garantido – apesar das sondagens positivas e da perceção, entre os organizadores da campanha, de que a mobilização está a aumentar – quer Passos quer Portas não se cansam de repetir que “ainda há muito trabalho para fazer”.

As mensagens estão muito direcionadas para o eleitorado do PSD e do CDS que deram a maioria a estes partidos em 2011. E não é por acaso que o roteiro da campanha está todo concentrado no centro e norte do país, onde o eleitorado é “mais amigo”.

“Reconciliar” é a palavra de ordem. “Quanto mais o tempo passa, mais as pessoas têm noção de que as nossas escolhas foram as corretas e que não podemos desperdiçar o que já conseguimos”, frisou o presidente do PSD em Vila Pouca de Aguiar, a falar em cima de um banco de jardim. Em baixo, Maria da Graça Guedes, 76 anos, acenava com a cabeça em sinal de concordância. “Cortaram um bocadinho a minha pensão e a do meu marido, mas tinha de ser. O buraco era muito grande. Se for outra vez para lá o PS, volta tudo para trás”, disse ao DN, quando perguntámos se não estava “zangada” com o governo por causa dos cortes nas pensões.

Mais afastada estava Teresa Borges, 83 anos, que fez questão de ser ouvida: “O meu voto não leva de certeza. As minhas netas, uma médica e a outra farmacêutica, tiveram de ir para o estrangeiro. Agora sou PS e a ele, se pudesse, dava-lhe era com uma cebola em cima”, vociferava, no meio de um monte de réstias de cebolas, do mercado local que estava a funcionar na praça. Quem esteve com Passos Coelho no distrito na campanha de 2011, garante que as ruas e praças eram inundadas de gente, o que ainda não aconteceu nesta “maratona”.

Ontem o dia teve um despertar emocionante, com Passos Coelho a matar saudades do canto e a acompanhar a tuna do Instituto Politécnico de Bragança, numa canção cheia de simbolismo – Amigos para Sempre – mas que, tendo em conta as desavenças do passado entre o presidente do PSD e Paulo Portas, não deixou de soar a sátira política.

A canção falava nas amizades que tinham de “ser para sempre” e em resposta ao DN, sobre se “na política elas podem ser para sempre ou são de ocasião”, Passos Coelho não disse que não: “Já tive oportunidade na vida política de construir amizades muito sólidas e tenho sempre uma grande disponibilidade para isso. Mas agora tenho pouca preocupação com o passado e os meus olhos estão postos no futuro. Acredito que atitude idêntica é partilhada por Paulo Portas”, sublinhou.

A verdade é que à tarde era suposto Passos e Portas separarem-se num desdobramento das ações de campanha, mas tal agenda foi cancelada e passaram o dia juntos. Quem sabe se inspirado ainda na melodia dessa manhã, pela primeira vez numa sua intervenção pública da campanha, o discurso Passos Coelho teve uma palavra especial para o companheiro de coligação. “Quero, ao Dr. Paulo Portas, cumprimentar especialmente pela grande campanha que nos tem propiciado. Quem apostou na imagem de conflitos e falta de coesão entre nós está certamente dececionado”, salientou. (dn.pt)

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