Show Kalunga II prova irmandade entre Angola e Brasil em noite interactiva

Martinho da Vila, com Paulinho da Viola, no lançamento da sua discobiografia, em 2013. (Foto: D.R.)
Martinho da Vila, com Paulinho da Viola, no lançamento da sua discobiografia, em 2013. (Foto: D.R.)
Martinho da Vila, com Paulinho da Viola, no lançamento da sua discobiografia, em 2013.
(Foto: D.R.)

Numa noite prestigiada por diversas individualidades nacionais e estrangeiras, com realce para a ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, o show “Kalunga II” confirmou esta quarta-feira a “pureza” da irmandade entre Angola e Brasil, num evento em que a voz dos espectadores sobrepôs-se a dos protagonistas.

Apesar de começar com duas horas de atraso (inicialmente marcado para às 19h00), o público manteve-se paciente e motivado para ver a todo custo as vedetas da música brasileira que, em palco, souberam retribuir o carinho e admiração expressa pelas cerca de 600 pessoas que coloriram a interactiva plateia.

Porque tratava-se do ressurgimento de um espectáculo que aconteceu pela primeira vez há 35 anos, os dez artistas sul-americanos incumbidos de “testar” a solidez das relações bilaterais entre os dois povos, capricharam nos detalhes e subiram ao palco em conjunto para abrir o show com um tema colectivo feito a propósito do evento.

“D’aqui, d’acolá” é o título da canção de abertura interpretada por um elenco de “luxo” composto por Martinho da Vila, Elba Ramalho, Francis e Olívia Hime, Geraldo Azevedo, Mart’nália, Miúcha, Mariene de Castro, Nei Lopes e Yamandu Costa, que se apresentaram todos de branco para uma plateia muito animada e heterogenia em termos de estrato social.

Durante cerca de três horas de música ao vivo, estes “dinossauros” do music hall brasileiro conseguiram contagiar os presentes com bom samba, pagode e canções sertanejas, que levaram governantes, gestores públicos, diplomatas, artistas e jornalistas a exibirem alguns toques de dança e acompanharem cada letra em voz alta.

Conforme a ordem, depois da música de abertura, desfilaram em palco Mariene de Castro, que começou por aquecer a noite com os temas “É d’Oxum”, “Canto das três raças” e “Senhora Liberdade”, este último num dueto com Nei Lopes, que permaneceu no “palanque” para cantar “candongueiro” e “Tia Eulália na Xiba”.

De seguida os convivas foram brindados com um instrumental (de quase dez minutos) intitulado “Um a zero”, que anunciava a entrada em cena de Geraldo Azevedo, que fez recordar “Caravana” e “Poema de Agostinho Neto”, antes de interpretar “Canta coração” com Elba Ramalho, uma das mais aplaudidas, em virtude da performance em palco.

Esta animou a sala do Lookal com “Asa branca” e “Banho de Cheiro”, antes de chamar Yamandu Costa para lhe auxiliar na música “De volta para o aconchego”. Já sozinho, Yamandu cantou “Brejeiro” e, mais tarde, “Meu caro amigo, numa parelha com Francis Hime, que se manteve em palco para apresentar os temas “Navega Ilumina” e “Vai passar”.

Num momento em que a plateia se mostrava cada vez mais descontraída e o cronómetros contava no sentido regressivo (aproxima-se a hora do fim), para o delírio do espectadores subiu em palco uma das vozes mais “melódica” de Angola. Em acção entrava Yola Semedo, apenas para apresentar uma única música – o seu sucesso “Volta amor”.

A angolana abandonou a pista para ver regressar Francis Hime e Oliva Hime para cantarem “O que será?”. Esta segunda continuou em cena e apresentou “Morena do mar” e “Berimbau/Labareda”, já na companhia de Miúcha, que depois ofereceu individualmente “Samba do avião” e “Anos dourados”, suportada por uma banda muito compacta e competente.

Na sequência, exibiram-se Mart’nália com “Angola” e “Acreditar/Sonho meu”, ainda com esta jovem brasileira na pista, simpaticamente apresentou-se também em palco o mais esperado da noite, que conseguiu aferir a sua popularidade em Angola e aquecer mais ainda a festa. Martinho da Vila cantou, brincou, interagiu e dançou.

Com Mart’nália tocou “Muadiakime”. E antes de convidar todo o elenco para os dois temas finais bonificou os presentes com “Semba dos ancestrais” e “Madalena do Jucu”. Já em conjunto, os dez músicos brasileiros encerram o show com “Morena de Angola” e “Kizomba, a festa da raça”, com toda a plateia de pé.

Ricardo Medeiros (viola baixo), Marcos Thadeu (bateria), Magno Júlio (percussão), Jayme Vignoli (cavaquinho), Dirceu Leite (sopro), Marcelo Bernardes (também no sopro), Maurício Carrilo (violão) e João Carlos Coutinho (no piano) asseguraram instrumentalmente os protagonistas do show, prestigiado e valorizado pela ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva.

Entretanto, Yola Semedo foi a única cantora angolana contemplada neste evento, que marcou o ressurgimento (35 anos depois) do projecto Kalunga, de cuja primeira edição aconteceu em 1980.

O mesmo visou saudar os 193 anos de independência da República Federativa do Brasil (assinalado a sete deste mês) e os 40 anos de independência de Angola (11 de Novembro).

O show Kalunga II foi uma co-produção da Embaixada do Brasil em Angola e o Instituto de Desenvolvimento Educacional Internacional de Angola – IDEIA, com vista a reforçar as relações entre os dois povos, com especial enfoque nas relações bilaterais nas áreas empresarial e cultural, particularmente na música.

O Embaixador do Brasil, Norton de Andrade Mello Rapesta, que reiterou a intenção do seu país em intensificar as relações com Angola, foi outro espectador atento na “tribuna vip”, deste show que terminou a uma hora e meia de hoje, quinta-feira. (Angop)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA