Samakuva faz ataque ao MPLA

Isaias Samakuva – Lider da UNITA (Foto: Lino Guimarães)

A unidade da oposição para o alcance do poder político foi a nota de realce nos discursos dos líderes do partidos políticos da oposição durante a abertura das jornadas parlamentares conjuntas da UNITA, CASA-CE, PRS e FNLA, que decorrem desde ontem até hoje numa das unidades hoteleiras de Luanda.

Isaias Samakuva – Lider da UNITA (Foto: Lino Guimarães)
Isaias Samakuva – Lider da UNITA (Foto: Lino Guimarães)

A abrir o acto, o presidente da UNITA, Isaías Samakuva, defendeu o diálogo entre os diferentes partidos da oposição, afirmando que o país precisa de uma nova liderança, cultura política e novo regime político.

“Há muito que vimos propondo um diálogo livre, estruturado e inclusivo entre as forças patrióticas de Angola para equacionarmos um problema colectivo: o país precisa de uma nova liderança, de uma nova cultura política, precisa de um novo regime político”, reafirmou o político, admitindo, no entanto, que parece haver receios de se libertar do passado e de se iniciar a construção de um futuro inclusivo sob uma nova liderança.

Samakuva acusou o MPLA de não estar a conseguir fazer essa construção e realizar a reconciliação nacional. “O MPLA não aceita o convívio na diferença”, afirmou Samakuva, insistindo na unidade de acção dos partidos políticos e não na sua “aglutinação”.

O presidente da UNITA defendeu uma melhor actuação da Assembleia Nacional. “Para termos um Parlamento democrático ao serviço dos angolanos precisamos de contemplar uma série de iniciativas originais. É preciso sairmos da rotina. É preciso intensificar os contactos com os diversos sectores da sociedade e produzirmos respostas efectivas para as aspirações das maiorias”, afirmou.

Por sua vez, o presidente da CASA-CE, Abel Chivukuvuku, disse esperar que as jornadas parlamentares conjuntas correspondam ao desejo da oposição de mudança em 2017 e para os grupos parlamentares da oposição se prepararem para a sessão legislativa 2015/2016, concertando ideias e vontades no sentido de dignificar o papel da Assembleia Nacional. O presidente do PRS, Eduardo Kuangana, apoiou a unidade entre os partidos.

“No mundo em que vivemos dependemos da complementaridade, não sabemos tudo, nem tão-pouco temos tudo. Precisamo-nos uns dos outros. Somos poucos mas a coesão entre todos os partidos da oposição real pode tornar-nos fortes”, considerou.

Para tal, disse, torna-se necessário que dirigentes e dirigidos se consultem mutuamente para a tomada acertada de decisões sobre as questões que afectam a vida dos cidadãos. “Para o PRS, a renovação da sociedade angolana exige a conjugação de esforços e o trabalho de todos os cidadãos desejosos de realizar o bem comum, a construção do Estado Democrático e de Direito e a instauração do federalismo em Angola”, defendeu.

Lucas Ngonda, presidente da FNLA, destacou a importância das jornadas parlamentares conjuntas, como um espaço de cruzamento de ideias e de diálogo para com a sociedade civil, a fim de se ajustar posições e definir metas. “Um dos objectivos destas jornadas é o de criar espaço de intervenção participantes e de diálogo com outras sensibilidades sobre as grandes questões que afligem a Nação e o Mundo, dando assim visibilidade à missão dos eleitos do povo”, disse.

As jornadas decorrem sob o lema “Juntos por um Parlamento Democrático ao Serviço dos Angolanos”e têm como objectivos uma interacção entre os deputados e a sociedade sobre a situação do Parlamento e os problemas daí decorrentes, uma preparação dos deputados com vista a um melhor desempenho das suas funções e o fortalecimento da unidade das forças políticas na oposição, para melhor enfrentarem os desafios futuros.

Em 2012, o MPLA foi o partido mais votado com 71,84 por cento dos votos e conseguiu eleger 175 dos 220 deputados à Assembleia Nacional. O segundo partido mais votado foi a UNITA, com 18,66 por cento, a CASA-CE foi o terceiro, seguido do PRS e FNLA. (jornaldeangola.ao)

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