Ritmo de crescimento do crédito desacelera em 2014

BNA (Foto: Portal de Angola)
BNA (Foto: Portal de Angola)
BNA (Foto: Portal de Angola)

Entre 2012 e 2013, o volume de crédito bruto concedido pelos bancos a operar em Angola subiu cerca de 13%. Entre o ano passado e 2013, contudo, o crescimento do crédito abrandou para 9%.

O volume de crédito concedido pela banca que opera em Angola entre 2013 e 2014 desacelerou quatro pontos percentuais (p.p.) face ao verificado entre 2012 e 2013, segundo contas do Expansão. No ano passado, de acordo com o estudo ‘Banca em Análise’, apresentado pela Deloitte nesta terça-feira, o crédito bruto concedido subiu 9% em 2014, para cerca de 3,2 biliões Kz.

Em 2013, ascendeu a 2,9 biliões Kz, mais 13% face ao ano anterior No entanto, a repartição do crédito por moeda manteve a tendência de composição, tendo- se verificado um aumento de 6 p.p. no peso da moeda nacional entre 2013 e 2014, situando-se, no final deste ano, em 74%. No que respeita ao crédito líquido a clientes, avança a análise da Deloitte, que resulta da compilação da informação pública disponibilizada pelos bancos que actuam no mercado e pelo Banco Nacional de Angola (BNA), observou-se um aumento de 8% face a 2013, tendo o seu valor agregado ultrapassado 2,9 biliões Kz em 2014. Já o rácio de crédito vencido, segundo a informação disponibilizada no relatório e contas do banco central, reproduzida agora pela consultora, ascendeu a 14,5%, um aumento expressivo quando comparado com o valor do período anterior – 11,2%.

Por bancos, houve, de acordo com a 10.ª edição do ‘Banca em Análise’, uma ligeira alteração de posicionamento no grupo dos cinco maiores players, tendo o Banco de Fomento Angola (BFA) ultrapassado o Banco Privado Atlântico (BPA), passando este a assumir a 4.ª posição do ranking, a seguir ao Banco de Poupança e Crédito (BPC), Banco Angolano de Investimentos (BAI) e Banco Internacional de Crédito (BIC).

No conjunto, os referidos bancos detinham, em 2014, uma quota de mercado de 65,4%, superior à 2013, que se situava nos 51,1%. Embora numa proporção relativamente inferior, comportamento idêntico ao do crédito tiveram os depósitos, ao registarem uma descida de 2 p.p. no ano passado, evoluindo de um crescimento de 17%, em 2013, para 15%, em 2014. Tal como no crédito, segundo dados do BNA avançados pela Deloitte, o peso dos depósitos em kwanzas tem crescido em detrimento da moeda estrangeira, verificando-se entre 2013 e 2014 um crescimento dos depósitos em moeda nacional de 58% para 65%, um aumento de 7 p.p.

No que se refere à composição dos depósitos por natureza, à ordem situou acima dos 2,9 biliões Kz, representando cerca de 55% do total, enquanto os depósitos a prazo ultrapassaram os 2,3 biliões Kz. A posição relativa entre os bancos com maior quota manteve- se em 2014, face ao ano anterior. O BAI permaneceu na liderança, com uma quota de 17,8%, seguindo-se o BFA, com 17,4%.

O estudo da Deloitte dá ainda conta de que, apesar do aumento do crédito líquido em 2014, este não foi superior ao crescimento dos depósitos, o que levou a uma redução do rácio de transformação entre 2013 e 2014, em que assumiu os valores de 58% e 55%, respectivamente.

Ex-BESA afunda resultados da banca em 2014

O resultado líquido total do sector, segundo dados do BNA, registou uma queda de 50%, para 45,4 mil milhões Kz em 2014, influenciado pelo efeito dos resultados do ex-BESA. No entanto, não considerando este efeito, conclui o estudo ‘Banca em Análise’, os resultados líquidos do sector teriam registado um crescimento de cerca de 12%.

Os dados da Deloitte vêm confirmar os já antecipados pelo Expansão, em Julho último, que apontavam igualmente para um ‘trambolhão’ nos lucros da banca na ordem dos 50,3%. Em relação à margem financeira, no final de 2014, avança a consultora, ascendia a 214,6 mil milhões Kz, uma redução de 8% face a 2013, justificada pela diminuição dos proveitos de crédito.

As dotações líquidas de provisões para crédito, acrescenta o documento, registaram no ano passado uma queda de 1%, situando- se em cerca de 92,2 mil milhões Kz, comparados com cerca de 92,9 mil milhões de 2013.

De acordo com as demonstrações financeiras disponibilizadas, verificaram-se, relativamente aos resultados, pequenas mudanças nas posições no grupo dos cinco maiores bancos face ao ano de 2013, com a ascensão do Banco Caixa Geral Totta de Angola (BCGTA) ao quarto lugar, relegando para o quinto o BPC. Em contrapartida, permaneceram nos três primeiros lugares do Top 5 o BFA, o BIC e o BAI.

Juntos, os maiores bancos detêm um volume de resultados líquidos de 83,2 mil milhões Kz, valor relativamente superior ao de 2013, que se fixou nos 69,5 mil milhões Kz. A Deloitte esclarece que o estudo inclui os bancos a operar em Angola em 2014, com excepção do Banco Económico (ex-BESA), Banco VTB – África, Banco BAI Microfinanças, devido à indisponibilidade da informação das respectivas demonstrações financeiras, e do Banco Kwanza Investimento, por este considerar que a actividade que tem desenvolvido não é comparável com a praticada pelos restantes operadores no mercado.

Contudo, foram considerados os volumes destes bancos na apresentação da informação consolidada do sector, mediante a informação agregada do sistema bancário disponibilizada pelo BNA. (expansao.co.ao)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA