Prestações do Kilamba aumentam 40% em kwanzas

(Foto: D.R.)
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O Expansão fez as contas para um inquilino que, em Agosto de 2013, comprou um T3 por 80 mil USD, pagando 20 prestações anuais de 6.551 USD ao câmbio do dia do banco.

A primeira prestação ficou em 653,4 mil Kz. Considerando a taxa de câmbio desta segunda-feira, passa a pagar 917,4 mil Kz, um aumento de 40,4%.

Muitos inquilinos da centralidade do Kilamba, na província de Luanda, pagarão mais 40%, em kwanzas, pelas rendas das suas casas face ao que estava estipulado, por causa da desvalorização da moeda nacional face ao dólar, quando, em Outubro deste ano, forem retomadas as cobranças das prestações de pagamentos mensais das residências que adquiriram em 2013.

O Expansão fez contas para o caso de um inquilino que comprou um apartamento de tipologia T3, em 8 de Agosto de 2013, por 80 mil USD, e que teria de pagar 20 prestações anuais de 6.551 USD ao câmbio do dia do banco.

A primeira prestação ficou, ao câmbio de então (99,7514 Kz/USD, acrescido de 3% da taxa de serviço administrativo, ou seja, 99,7514 Kz/USD), em cerca de 653,4 mil Kz. Mas, considerando a taxa de câmbio da última segunda- feira, 21 de Setembro (135,968 Kz/USD, acrescida de 3% da taxa, ou seja, 140,047 Kz/USD), a mesma prestação – de 6.551 USD – aumenta 40,4 %, para cerca de 917,4 mil Kz.

No início da semana passada, recorde-se, o presidente do conselho de administração da Imogestin, entidade que está a conduzir o processo de venda das casas do Kilamba, anunciou que o pagamento por parte dos inquilinos vai ser feito por via do Fundo para o Desenvolvimento Habitacional (FDH), uma entidade criada em Agosto último e gerida pela Imogestin.

Na altura, Rui Cruz explicou que a prestação referente a 2014, que não foi cobrada, será diferida para o ano inicialmente aprazado para o termo do contrato. “O cliente que tem o contrato de reembolso previsto para 20 anos vai pagar em 21 anos, precisamente por causa do ano de 2014, que está em falta”, explicou.

O responsável disse que o sistema de pagamento não será apenas anual, havendo também a opção mensal, podendo os moradores efectuar a liquidação das suas prestações via Multicaixa, ou por transferência bancária.

O Expansão questionou a Imogestin sobre o facto de, nos contratos, a renda estar fixada em dólares, o que contraria a Lei do Arrendamento, mas a empresa não respondeu até ao fecho da edição. Por explicar ficou também a partir de que dia e para que bancos serão feitas as transferências. Os apartamentos T3, com cozinha e duas casas de banho, recorde-se, eram inicialmente comercializados por 130 mil USD. Mas, na sequência de uma visita do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, à centralidade, o valor foi reduzido para 80 mil USD – menos quase 40% em relação ao início.

Na semana passada, Rui Cruz explicou que, na nova fase de comercialização das centralidades, o regime de renda resolúvel apenas será disponibilizado a funcionários públicos que ainda não tenham adquirido casas ao Estado. Para quem integrar os outros regimes – venda pública livre e venda pública dirigida -, o mecanismo será o recurso ao sistema bancário com taxas de juro bonificadas.

A venda pública dirigida diz respeito a empresas públicas, privadas e institutos públicos e terá uma quota aprovada pelo Executivo, devendo estas instituições indicar os trabalhadores beneficiários. Para venda pública livre foi fixada uma quota de 20% a 30%, sendo as candidaturas feitas primeiro através do portal da Imogestin na Internet e depois através de candidatura física. Em ambas as modalidades de venda, 30% das habitações estarão reservadas a pessoas com menos de 40 anos de idade.

Lançado Fundo com Garantia Soberana para construção de habitação

O Governo criou no mês passado um fundo com garantia soberana para a construção de habitação. De acordo com um decreto assinado pelo Presidente da República, de 25 de Agosto, a criação do Fundo de Activos para o Desenvolvimento Habitacional (FADEH) é justificada com a necessidade de “impulsionar o sector” e “criar um modelo de gestão mais eficiente e sustentável” para o Estado, em termos económicos e financeiros.

Este fundo vai assumir os activos imobiliários de natureza pública, como habitação, espaços comerciais e lotes para construção, sob a superintendência do Ministério das Finanças.

“O FADEH deve mobilizar o financiamento bancário para a obtenção dos recursos financeiros necessários para o financiamento dos projectos habitacionais com garantia soberana”, diz o documento. (expansao.ao)

Por: Osvaldo Manuel

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