Portas cola-se à herança de Lucas Pires. O regresso a Ofir, 30 anos depois

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CDS realiza Escola de Quadros onde se desenhou o programa eleitoral de 1985. Em que se falava de plafonamento de pensões.

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O CDS regressa esta semana a Ofir, onde há 30 anos ensaiou um programa liberal. Paulo Portas esteve lá, era um dos jovens do partido então dirigido por Lucas Pires, e regressa agora colando-se à herança liberal deste histórico centrista.

É o próprio CDS que assume esta referência, para a segunda edição da Escola de Quadros do partido (a sua rentrée, que se inicia quinta-feira naquela praia do concelho de Esposende), ao recordar que aí teve lugar uma reunião do grupo liderado por Francisco Lucas Pires, em que, entre 1984 e 1985, Paulo Portas, Bagão Félix, José Luís Nogueira de Brito, Rui Moura Ramos, Miguel Anacoreta Correia, Manuel Queiró, António Lobo Xavier e António Borges, desenharam as linhas do que seria o programa eleitoral do CDS nas eleições de 1985.

Nesse chamado Programa para Uma Nova Década, defendia-se que “o sistema de Segurança Social deve ser reequilibrado financeiramente, os seus custos devem-se tornar transparentes e públicos, deve descentralizar a sua gestão e deve evoluir, em particular, através do sistema de pensões, para uma forma de cobertura tripartida”.

Já aí se definiam “prestações universais” para “assegurar a toda a população uma garantia mínima em função do rendimento do agregado familiar”, mas também “prestações contributivas com base num Seguro Social obrigatório sobre as remunerações até um determinado limite máximo do plafond” e “prestações complementares através de esquemas de previdência voluntária utilizando, designadamente, a margem de liberdade de cobertura permitida pela existência do plafond remuneratório”.

A Escola de Quadros será uma ocasião para os seus 120 participantes (número que duplicou face ao ano passado) centristas fazerem o “escrutínio e avaliação do programa do PS”, pela voz de Pedro Mota Soares, o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social. O secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, apresenta esta sessão.

Trinta anos depois, cabe a Lobo Xavier (num jantar–debate apresentado por António Pires de Lima, na sexta-feira), fazer a ponte “de Ofir a Ofir”, para discutir as “constantes da relevância do CDS”.

Lucas Pires deixaria a liderança do partido, ainda em 1985, por causa dos resultados nas eleições legislativas, em que o seu programa foi sufragado com 9,9% dos votos e 22 deputados (um resultado de que o CDS só voltaria a aproximar-se em 2009), e entraria – era então eurodeputado – em rutura com o partido já em 1991/1992, quando os centristas (com Manuel Monteiro a liderar e Paulo Portas, seu mentor) assumiram um discurso antieuropeísta.

A também ministra Assunção Cristas será chamada a explicar, em casa própria, “o que fizemos com o Manifesto Eleitoral do CDS 2011”, uma espécie de deve e haver do trabalho centrista neste governo. (dn.pt)

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