Paulo Portas: “Não são partidos nem outdoors que criam emprego, são as pessoas”

(jornaldenegocios.pt)
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O líder do CDS-PP e a porta-voz do Bloco de Esquerda estiveram frente-a-frente esta terça-feira na SIC Notícias. Enquanto a porta-voz do Bloco de Esquerda se defendeu do fantasma da Tsipras, Paulo Portas tentou justificar a redução de 600 milhões de euros de despesa na Segurança Social apresentada em Bruxelas.

“Nestes quatro anos disseram-nos que era possível controlar a dívida, cortando nas famílias que já não tinham nada”, começou por apontar Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda no início do frente-a-frente com Paulo Portas, esta terça-feira, no segundo dos sete debates televisivos entre os candidatos às eleições legislativas do próximo dia 4 de Outubro. “Quanto mais se contraiu a economia, mais dívida se gerou”, acrescentou.

“Se uma pessoa não tiver dinheiro para o passe do autocarro para ir trabalhar, consegue ter emprego para o crédito à habitação?”, questionou a porta-voz do Bloco de Esquerda, descrevendo um “ciclo de austeridade” e uma “destruição do mercado interno e capacidade de investimento do país” e a consequente “destruição do futuro”.

Paulo Portas defendeu-se com base “nas circunstâncias” com que entrou no Governo, “a poucas semanas do país entrar em bancarrota”, sublinhando que o Governo terminou o programa da troika sem recurso a tempo ou dinheiro extra e antecipando o pagamento ao FMI. “Em 2011 o país não era livre. Era um país com um sindicato de credores”, justificou o líder do CDS-PP.

Ao comentário de Catarina Martins que dizia não se lembrar de ter ouvido o candidato do CDS-PP a avisar que iria cortar nas pensões aquando as eleições de 2011, Paulo Portas recorreu ao antigo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras. “Quem me parece que mudou foi Tsipras”, ironizou. O candidato da coligação Portugal à Frente aproveitou para questionar a porta-voz do Bloco de Esquerda (BE) sobre a sua avaliação da política do Syriza, frequentemente associada ao BE.

Salientando discordar com o plano de austeridade da Grécia, Catarina Martins sublinhou que o importante “é um caminho alternativo ao beco sem saída”. “Aceitar que não há nenhuma alternativa é aceitar que vamos continuar a ter uma sangria de gente”, acrescentou.

A candidata do BE acusou a coligação de esconder o elefante da dívida e acusou o programa da coligação de não apresentar contas.

Ao nível das mudanças estruturais nos últimos quatro anos, Catarina Martins considerou o tema do emprego como o que mais transformações sofreu. “Este governo destruiu a contratação colectiva. Todos os trabalhadores ficaram numa grande dificuldade e as relações de trabalho ficaram mais precárias. Perdemos postos de trabalho e toda a gente vive de forma mais precária”. A líder do Bloco de Esquerda pelo círculo eleitoral de Lisboa alertou ainda para a quantidade de ofertas de trabalho sob a forma de estágios: “para as empresas é bom, porque pagam a doutorados duzentos euros e os estagiários recebem seiscentos euros”, sublinhou.

“Os salários médios em Portugal tiveram uma desvalorização de quase 50% nas novas gerações e de 100% nas 700 mil pessoas em situação de desemprego e sem direito a subsídios”, apontou Catarina Martins, acusando o Governo de se moldar à “chantagem do ministro [alemão] Wolfgang Schäuble”, garantindo que “a única convergência que o Bloco de Esquerda tem com a Alemanha é na questão dos refugiados”.

O líder do CDS-PP voltou a responder à questão da criação do emprego com recurso “à descida progressiva da taxa de desemprego do INE” e à “necessidade de uma estabilidade que gere confiança na economia”. “Sem confiança não há financiamento, sem financiamento não há crescimento, sem crescimento não há investimento e sem investimento não há emprego”, reiterou. “Não são partidos nem outdoors que criam emprego, são as pessoas”, concluiu.

Questionado sobre como iria o Governo garantir o compromisso com Bruxelas a respeito do corte de 600 mil milhões de euros na despesa da Segurança Social, Portas garantiu que “não será feito com cortes de pensões em pagamento” e que o Tribunal de Contas será respeitado, sendo que o consenso será feito “com o partido da oposição”. Um cheque em branco, descreveu Catarina Martins. (jornaldenegocios.pt)

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