Passos está “convencido” de que Costa lhe dará a mão

(Foto: MANUEL DE ALMEIDA / LUSA)

Primeiro-ministro acredita em acordo com os socialistas na reforma da Segurança Social. Catarina está contra o plafonamento

(Foto: MANUEL DE ALMEIDA / LUSA)
(Foto: MANUEL DE ALMEIDA / LUSA)

Passos Coelho está “convencido” de que irá resolver o problema da sustentabilidade da Segurança Social com António Costa, admitindo que este não passa só pelo plafonamento das pensões. Ontem, no frente-a-frente com a líder do Bloco de Esquerda, o primeiro-ministro foi, aliás, desafiado a dizer quanto custaria o “buraco” criado pelo eventual plafonamento.

O primeiro-ministro apresentou-se menos tenso do que contra António Costa na quarta-feira, mas não mudou o tom de voz, o discurso explicativo, nem sequer a gravata. Catarina Martins foi desafiadora, mas nem um nem outro se irritaram em nenhum momento, como tinha acontecido entre Passos Coelho e António Costa.

Passos Coelho acabou por admitir que o plafonamento “não resolve o problema todo da Segurança Social”, uma vez que este “só afetará novos contratos”e que por isso terá uma “expressão pequena” no bolo da Segurança Social.

Para o primeiro-ministro, aplicar o plafonamento na sua totalidade só com “recurso à emissão de dívida pública”, e isso o Estado não está em condições de fazer.

Catarina Martins disse que o regime proposto pela coligação permite “beneficiar quem mais ganha”, uma vez que as pessoas com mais rendimentos livram-se de contribuir para a Segurança Social a partir de um determinado valor. Além de acabar com a solidariedade geracional, adianta a bloquista.

Passos nega que a solução passe por 600 milhões de euros de cortes nas pensões e disse que não conta com o Bloco de Esquerda, colando o discurso do partido à irresponsabilidade “de quem sabe que nunca vai ter de governar”.

Porém, conta com o PS. “Depois do debate com António Costa, fiquei convencido de que não será difícil encontrar entre o PS, o PSD e o CDS uma solução que permita poupar os 600 milhões de euros” anuais. Ou seja: Passos conta com Costa para fazer a reforma da Segurança Social.

Apesar disso, Passos e Catarina tiveram os seus momentos de tensão. Em determinada altura do debate o primeiro-ministro puxou a si os galões de ter atacado os privilégios. Catarina Martins ripostou: “Não se notou. Há mais dez mil novos milionários.” Passos rebateu: “Mas não foi certamente à custa do Estado.”

O presidente do PSD deixou claro que para a coligação o Bloco é o Syriza português (“o partido irmão”). Catarina Martins assumiu a colagem, com gosto, e acusou o atual governo de “ter empobrecido o país” apesar de não ter reduzido a dívida.

A dívida é um dos pontos em que os líderes do Bloco de o PSD mais discordam. Catarina Martins lembrou que, apesar de tantos sacrifícios, “a dívida aumentou 2,5 vezes mais do que o que estava previsto no memorando da troika e cerca de um milhão e meio à hora nos últimos quatro anos.”

Catarina Martins voltou a defender a “reestruturação da dívida” dizendo que dois ex-ministros das Finanças da área política da coligação defendem o mesmo: “Tenho pouco em comum com Manuela Ferreira Leite ou Bagão Félix, mas até eles já defenderam que este é o único caminho possível para que a dívida não seja impagável.”

Já Passos Coelho classificou de “aventura” a ideia de reestruturar a dívida, pois “um país que diga aos credores que não tem condições para pagar a dívida não tem condições para se financiar”.

O primeiro-ministro disse ainda à líder do BE que nos últimos quatro anos a aplicação da “perspetiva irrealista do Bloco de Esquerda conduziria o país a um segundo resgate”.

Houve ainda um momento em que Passos Coelho recordou o debate com António Costa: “Há quem diga que foi o PSD que chamou a troika.” Catarina Martins respondeu: “Não sei se não terá sido.” O presidente do PSD aproveitou para destacar que a bloquista tem afinal “muitas coisas em comum com o secretário-geral do PS.”

O início do debate foi dedicado à venda do Novo Banco. Passos Coelho voltou a garantir que a solução de optar por um Fundo de Resolução “não irá custar dinheiro aos contribuintes portugueses”. Pelo menos de forma direta. Isto porque o primeiro-ministro acabaria por admitir perdas para o Estado “através da Caixa Geral de Depósitos”, que, como parte da banca, tem de assumir o prejuízo.

O primeiro-ministro atacou o Bloco de Esquerda dizendo que o modelo defendido pelos bloquistas, “a nacionalização, levaria a um buraco muito superior ao do BPN, que pode custar mais de cinco mil milhões de euros” ao Estado.

Catarina Martins recordou que nos últimos anos “os contribuintes foram sendo sempre chamados a pagar”, uma vez que “a finança é predadora do país” e que isso voltará a acontecer num país onde reina o “gangsterismo financeiro”.

A líder bloquista disse ainda que o “adiamento da venda do Novo Banco aparece como muito oportuno para o governo numa altura em que se iria saber quanto é que a resolução iria custar aos contribuintes portugueses”. (DN)

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