Debate: Passos ameaçou com o passado. Costa respondeu que não era Sócrates

(DR)
(DR)
(DR)

Passos Coelho e António Costa debateram esta noite, durante cerca de 90 minutos, naquele que será o único frente-a-frente televisivo entre os dois candidatos.

Decorreu no Museu da Eletricidade esta quarta-feira o único debate televisivo entre Passos Coelho e António Costa. Conduzido por Clara de Sousa (SIC), Judite Sousa (TVI) e João Adelino Faria (RTP), frente-a-frente estavam o líder da coligação Portugal à Frente e o líder do principal partido da oposição, num debate tido como decisivo para as eleições de 4 de outubro.

A troika foi o tema de lançamento, com Passos Coelho a defender-se desde cedo. “Não seguimos políticas de austeridade por gosto”, salientou o primeiro-ministro, reconhecendo que “estes quatro anos foram de facto difíceis e duros” e “só foi possível chegar ao fim deste processo de forma satisfatória porque os portugueses foram extraordinários na sua vontade de superar as dificuldades”.

António Costa, por seu lado, entrou no debate referindo que Passos Coelho “não cumpriu no Governo aquilo a que se comprometeu na campanha eleitoral”. A “dívida não só não reduziu, como aumentou”, acrescentando que o líder do PSD “entra para a história como chefe do primeiro governo a entregar um país com menos riqueza do que recebeu”. “O único que fracassou foi o governo de Passos Coelho”, sentenciou.

Passos, por seu lado, recordou os casos da Irlanda e da Grécia – países também sujeitos a programas da troika – para dizer que foram países onde a perda de riqueza foi pior do que em Portugal. E foi nesta altura que José Sócrates fez a sua primeira ‘entrada’ no debate, com Passos Coelho a recordar o aumento de dívida no tempo de José Sócrates.

Para além da troika, o nome do ex-primeiro-ministro, atualmente em prisão domiciliária, surgiu por várias vezes no debate. Mas houve mais palavras a repetirem-se no debate: dívida, desemprego, plafonamento e, curiosamente, mistificação.

“Percebo bem o que é herdar uma dívida grande. A diferença entre nós os dois é que reduzi em 40% a dívida que recebi e o dr. Passos Coelho aumentou em 19%”, acusou Costa, acrescentando que “o exercício da troika já era difícil, mas Passos resolveu por razões ideológicas ir além da troika”. E repetiu que “precariedade e baixos salários é a competitividade que Passos Coelho vê para o futuro”.

Enquanto Costa fazia questão de dizer que assumia o passado do PS mas que o seu programa era diferente, nomeadamente pelo facto de não ter as grandes obras públicas, Passos Coelho recuperava Sócrates. “Não tem obras públicas mas tem outros aspetos” semelhantes, afirmou, dizendo que em causa estava um estímulo à procura e ao consumo e que “essa abordagem conduziu o país ao desastre” e é hoje “um risco”. (Noticias ao Minuto)

por Pedro Pina

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA