Moçambique: Governo surpreendido com ausência da RENAMO

AFONSO DHLAKAMA LÍDER DA RENAMO (Foto: Jinty Jackson)

Maputo – O governo moçambicano considera surpreendente a atitude da Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique, de faltar a sessão do diálogo político agendada para segunda-feira.

AFONSO DHLAKAMA LÍDER DA RENAMO  (Foto: Jinty Jackson)
AFONSO DHLAKAMA LÍDER DA RENAMO (Foto: Jinty Jackson)

Este sentimento foi manifestado hoje, terça-feira, em Maputo, por José Pacheco, chefe da delegação do governo no diálogo político com a Renamo, que esteve presente no Centro Internacional de Conferência Joaquim Chissano.

Para Pacheco, a Renamo é um partido que não está alinhado com a Constituição da República, nem com o respeito das demais leis aplicadas no país.

“Este caminho, que a Renamo está a tomar, surpreende-nos. A Renamo não está interessada em respeitar as instituições e personalidades, pela atitude que toma. Mas, nós somos um governo responsável. Continuamos esperançados para que os nossos compatriotas filiados na Renamo possam estar alinhados com os mais altos interesses de Moçambique, para o progresso de Moçambique, e para o bem-estar dos moçambicanos”, disse Pacheco.

Referiu que governo está comprometido com a unidade nacional, consolidação da independência nacional, espírito e cultura de convivência pacífica e com o bem-estar dos moçambicanos.

A delegação do governo esteve no local do encontro, mesmo depois de o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, ter anunciado na semana passada o fim do diálogo político.

Pacheco explicou que a delegação do governo decidiu comparecer na sede do diálogo pelo facto de não ter recebido nenhuma carta formal manifestando a indisponibilidade da Renamo de participar no encontro, mesmo depois das várias diligências feitas, como tem sido prática entre as partes.

Questionado se esta decisão da Renamo não seria um pretexto para o início de mais um ciclo de instabilidade no país, Pacheco, que também ocupa o cargo de ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, asseverou que o governo fará tudo ao seu alcance para evitar a eclosão de um novo surto de violência no país.

“Moçambique não está em guerra. Mas, certamente, se houver situações que periguem as vidas humanas, que ponham em causa os bens públicos e privados, o governo saberá defender as pessoas, saberá defender os bens públicos e privados, como sempre o fez. O governo está completamente distanciado de qualquer atitude de declarar guerra em Moçambique”, disse o governante.

Comentando sobre as declarações da Renamo, que ameaça criar o seu próprio exército nacional e um quartel-general, Pacheco vincou que a única entidade, em Moçambique e em qualquer parte do mundo, com competência para manter Forças de Defesa e Segurança é o Estado.

Os partidos políticos não têm esse privilégio caso contrário estarão a violar os princípios básicos de um Estado de Direito, que o país está a edificar e está comprometido a continuar a fazê-lo.

Contudo, Pacheco disse acreditar que o espaço de diálogo, que se abriu no Centro de Conferências, criou uma melhor aproximação, uma melhor cordialidade entre a Renamo e o governo.

Disse que antes do diálogo em curso, o nível de comunicação entre o governo e a Renamo era “quase zero”.

“Assumo a responsabilidade pessoal de dizer que existe uma espécie de três Renamos: a Renamo de “colarinho branco”, em sede do diálogo. Na Assembleia da República, que é tratada com toda a dignidade de um Estado. E temos uma Renamo que aparenta violência”, referiu.

“Nós sabemos respeitar a parte, aparentemente, boa da Renamo no diálogo e na Assembleia. Aquela parte má da Renamo é tratada nos termos das suas próprias atitudes, quando as situações exigem que haja tratamento nesse sentido”, acrescentou. (portalangop.co.ao)

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