Moçambique: Falta de cooperação da SANDF sobre o caso moçambicano torturado na África do Sul

(D.R)

Maputo – As Forças Armadas da África do Sul (SANDF) não estão a cooperar com as autoridades moçambicanas representadas naquele país no fornecimento de informação sobre a tortura de que foi vítima um cidadão moçambicano, cuja identidade ainda não é conhecida, noticia nesta quinta-feira a AIM.

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Segundo dados facultados ao “Notícias” pela embaixada de Moçambique em Pretória, todas as diligências feitas junto das SANDF e do próprio Ministério da Defesa, com vista a chegar-se ao moçambicano vítima da tortura perpetrada por dois soldados sul-africanos redundaram em fracasso, visto que nunca foi dada uma explicação clara sobre o paradeiro da vítima.

O que a embaixada pretende, segundo o jornal, não é só saber da localização da vítima como também se inteirar do seu estado de saúde e providenciar a ajuda que possa estar a precisar neste momento.

Igualmente, e pese embora o porta-voz das Forças Armadas tenha confirmado a suspensão dos dois soldados e o facto de os mesmos terem sido encaminhados à Justiça para responder criminalmente, as autoridades moçambicanas dizem estar a enfrentar dificuldades de se inteirar deste processo, pois não lhes está a ser indicada a instância judicial onde o processo estará a ser dirimido.

“Não temos nenhum dado que nos possa ajudar a esclarecer o processo. As Forças Armadas não estão a colaborar e não se mostram abertas. No lugar de nos facultarem informações úteis e que nos levem até à vítima têm estado a nos empurrar para outras instituições que nada têm a ver com o assunto.

Desta forma, disse fonte da embaixada abordada pelo “Notícias”, as coisas ficam ainda mais complicadas. Ainda quarta-feira foi apresentado um novo pedido para que digam quem é e onde está a vítima para que possamos intervir.

O caso foi despoletado por um vídeo amador, em que aparece um cidadão moçambicano, cuja identidade não foi revelada, a ser severamente torturado por dois militares sul-africanos.

O vídeo, de cerca de dois minutos, mostra imagens chocantes, que circularam há dias nas redes sociais. Desconhece-se, no entanto, a data do incidente ocorrido num lugar identificado como sendo a área da fronteira de Lebombo, entre Moçambique e a África do Sul.

O vídeo mostra os soldados que patrulham a linha de fronteira entre os dois países a agredirem brutalmente o moçambicano, sob a acusação de roubo, com os braços atados para trás.

O assunto foi reportado semana passada, pela primeira vez, pela televisão pública sul-africana – SABC – e reproduzido pela Televisão de Moçambique (TVM).

O Ministério sul-africano da Defesa confirmou que os dois militares foram identificados, detidos e suspensos das Forças Armadas.

Por sua vez, as chefias militares, através do brigadeiro-general Xolano Mabanga, das Forças de Defesa da África do Sul, confirmaram a autenticidade do vídeo e disseram que as imagens foram vistas pela primeira vez em finais de Julho último e as autoridades agiram conforme mandam as leis. Mesmo assim mostram-se relutantes em fornecer os dados deste processo à embaixada moçambicana.

Os militares em causa foram estacionados ao longo da fronteira com Moçambique. Na altura o Presidente sul-africano, Jacob Zuma, anunciou a colocação de militares nas zonas fronteiriças, alegadamente para travar o fluxo de emigrantes ilegais para a África do Sul. (portalangop.co.ao)

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