Martins da Cruz: “Só se a Turquia for bombardeada a Europa seguirá os EUA”

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Numa altura em que países europeus parecem querer passar das palavras à ação no combate ao Estado Islâmico, o ex-ministro de Durão duvida que haja uma ação militar concertada na Síria.

A França anunciou as primeiras operações militares na Síria e David Cameron também já abriu a porta a novas ações contra o Estado Islâmico (EI). Como analisa esta possível escalada militar?

Estamos a assistir a uma alteração das circunstâncias. Há cerca de dois anos, a França queria bombardear Bashar al-Assad e foram os EUA que recuaram. Infelizmente, foi necessário esperar mais de um ano para que as atrocidades cometidas pelo EI tenham agora provocado a intervenção do Reino Unido e da França ao lado dos EUA nos bombardeamentos exclusivamente às forças do EI. É preciso notar que se trata de uma coligação de interesses e não de uma ação da NATO ou da União Europeia [UE].

Que consequências poderão ter as operações, em particular os bombardeamentos norte-americanas, britânicos e franceses?

As consequências serão negativas para o EI, que é o alvo destes ataques militares mas ao mesmo tempo reforçarão o regime de Assad. E terão ainda outro efeito colateral: proteger os curdos, que são atacados pelo EI e pela Turquia. Ou seja, vão desestabilizar a região e, a meu ver, estas operações não irão resolver a situação porque não implicam tropas no terreno. Não se pode combater o EI unicamente com bombardeamentos aéreos.

A Rússia deverá enviar um destacamento aéreo para apoiar Assad, algo que suscita a preocupação dos israelitas.

O envolvimento da Rússia é inevitável. Primeiro, porque desde o início defendeu o regime de Assad e a entrada nas operações aéreas da França e do Reino Unido ao lado do EUA deu à Rússia o pretexto para estar presente também com envolvimento militar. Além disso, está a proteger os seus interesses, pois o único porto de que dispõe no Mediterrâneo é em território sírio. (dn.pt)

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