Ligações entre Sócrates, Santos Silva e Joaquim Barroca a ‘descoberto’

(DR)
(DR)
(DR)

Joaquim Barroca disse desconhecer as origens e o destino dos milhões que passaram pela sua conta.

O ex-vice-presidente do Grupo Lena, Joaquim Barroca, também alegadamente envolvido nos ‘esquemas’ de José Sócrates e Carlos Santos Silva já tinha admitido ao procurador Rosário Teixeira ter assinado documentos em branco, salvaguardando porém não saber qual era a origem ou o destino dos vários milhões de euros que passaram pelas suas contas e que alertaram o Ministério Público.

A Sábado apurou que afinal Joaquim Barroca seria “marioneta” do grande amigo do ex-primeiro-ministro e que terá sido “instrumentalizado” por Santos Silva.

“O arguido apresenta uma tese em que admite ter sido levado a assinar declarações em branco, eventualmente na Suíça, para posterior realização das transferências a débito da sua conta, admitindo mesmo que o arguido Carlos Silva tenha tomado conhecimento dos números de conta na Suíça para passar a preencher as instruções de transferência a débito”, lê-se no despacho do Ministério Público a que a Sábado teve acesso.

Estas transferências são consideradas indícios de favorecimento ao resort de Vale do Lobo, colocando o ex-ministro Armando Vara no meio do processo.

Em julho, Joaquim Barroca tinha admitido ter recebido 12 milhões de euros para depois transferir o valor para Hélder Bataglia, um dos donos do empreendimento Vale do Lobo, e para Carlos Santos Silva.

Barroca tinha duas contas, que abriu na Suíça em 2007, que terão servido para a passagem de quase 17 milhões de euros.

O Ministério Público não acredita que Barroca tenha contado tudo o que sabe, desconfiando do argumento de que seria apenas um ingénuo titular de contas bancárias na Suíça.

As “contas de Joaquim Barroca junto da Union des Banques foram utilizadas para uma passagem de fundos que se afigura terem sido programadas, visando acautelar a ocultações de operações diretas entre as contas de origem e o seu destino final, a pessoa do arguido José Sócrates, com a interposição de um segundo intermediário, a pessoa do arguido Carlos Santos Silva”, assegura o Ministério Público.

“Como se pode admitir que cerca de 14 milhões de euros passem por uma conta bancária sem que a pessoa que é a única autorizada nessa conta saiba de onde é que veio tal dinheiro e para onde é que ele foi?”, é questionado.

O juiz Carlos Alexandre considera que “há aqui muita coisa por explicar”, não acreditando que “alguém se disponha a dar uma conta como uma ‘barriga de aluguer’ e que essa conta seja movimentada em milhões de euros, sendo alheio a tais movimentações.

“Face a tudo o que se apurou, [a investigação] está agora a começar”, adianta.

Recorde-se que o ex-primeiro-ministro está detido preventivamente, desde novembro, no Estabelecimento Prisional de Évora, por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal. Já Carlos Santos Silva encontra-se em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, por suspeitas dos mesmos crimes. (noticiasaominuto.com)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA