Kwanza cai 6,5% em dois dias e casas de câmbio estão sem dólares

(Foto: D.R.)
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Se  quarta-feira, dia 9 de Setembro, a taxa de câmbio oficial de compra do BNA se situava no patamar de Kz 125 por cada dólar, já na quinta-feira um dólar comprava Kz 129,15 e, esta sexta-feira, dia 11 de Setembro, compra Kz 133,39. O que significa que a taxa de câmbio oficial desvalorizou, em dois dias, cerca de 6,5%. Há mais de um mês que a moeda nacional se mantinha estável no confronto com a moeda norte-americana.

O que significa que há falta de dólares no mercado.

Um dos indicadores mais óbvios da falta de divisas  foi o regresso das longas filas matinais às casas de câmbio, fazendo com que, algumas delas, anunciem que vão adoptar um esquema de registo dos clientes, chamando-os à medida que disponham das divisas pretendidas, evitando assim as longas esperas, muitas das vezes sem resultados, pois os ‘plafonds’ diários de moeda estrangeira esgotam-se antes que chegue a vez de muitos clientes.

Para descomprimir o mercado o BNA efectuou, pela primeira vez no último mês de Agosto, vendas directas de divisas, através de leilão, às casas de câmbio. Estas adquiriram, nos últimos 15 dias, directamente, USD 200 milhões ao banco emissor. À falta de divisas no mercado e o kwanza volta a ceder, desvalorizando 6,5% face ao dólar entre quarta-feira e sexta-feira desta semana, quando

A taxa de câmbio também no mercado interbancário, como as contas de OPAÍS o vêm mostrando, tem mantido uma grande estabilidade e, indício da falta de divisas no mercado, é o facto de no leilão da última quarta-feira, como assinalou a Análise Diária do Banco Atlântico, o kwanza ter depreciado 3%, passando a taxa de câmbio de referência interbancária para Kz 130,44 por cada dólar, quando, há várias semanas, assentara no patamar de Kz 126,4 por dólar.

A situação actual fica a dever-se, em parte, à ‘ressaca’ do período de férias, em que normalmente a uma maior procura de divisas para viajar ao estrangeiro. Por outro lado, o BNA conseguiu desacelerar o ritmo de desvalorização do kwanza, que se mantém estável há quase dois meses, registando apenas uma depreciação centesimal, sentindo-se mais à vontade para poupar dólares, tendo reduzido, na última semana, o volume de divisas vendidas ao sistema bancário em regime de leilão.

A Luibor, a taxa de referência que os bancos praticam nas transacções entre si, e que serve de base à formação da taxa de juro aplicada nos empréstimos aos particulares e às empresas, também deverá subir, sendo de esperar que o BNA volte a aumentar a ‘parada’, em termos de moeda estrangeira vendida aos bancos comerciais, esta semana.

Na última semana de Agosto, o BNA vendeu, em leilão, menos USD 99,4 milhões que na semana anterior, tendo o montante de divisas vendido atingido o montante de USD 281,7 milhões. Esta semana, de acordo com a Análise Diária do Atlântico, o banco central não terá compensado a redução na oferta de divisas para compra e a taxa de câmbio de referência subiu, reajustando o mercado.

Na quarta-feira, dia 2, da última semana, as casas de câmbio adquiriram directamente, através de leilão, junto do BNA USD 10 milhões, o mesmo montante leiloado na primeira sessão de venda directa de divisas pelo BNA aos cambistas. No segundo leilão, em que participaram, tal como no anterior, 33 casas de câmbio, a taxa de câmbio média apurada ficou bastante acima da apurada no primeiro leilão (Kz 149,87 por cada dólar, contra Kz 138,254 por cada dólar). (opais.ao)

 

1 COMENTÁRIO

  1. O governo terá que fazer qualquer coisa, assim como reajustes de salários e o controlo dos preços de produtos de primeira necessidade. Porque se assim não o fizer, o salário do pacato cidadão nunca chegará para quase nada…

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