Jihadistas não precisariam misturar-se a migrantes para entrar na UE

Migrantes esperam por trem na estação de Kemi, Finlândia, no dia 14 de setembro de 2015 (Foto: ANU POHJOLA/LEHTIKUVA/AFP)
Migrantes esperam por trem na estação de Kemi, Finlândia, no dia 14 de setembro de 2015 (Foto: ANU POHJOLA/LEHTIKUVA/AFP)
Migrantes esperam por trem na estação de Kemi, Finlândia, no dia 14 de setembro de 2015 (Foto: ANU POHJOLA/LEHTIKUVA/AFP)

Nem o grupo Estado Islâmico, nem a organização Al-Qaeda, que têm redes mais seguras, precisam infiltrar jihadistas entre os imigrantes para entrar na Europa, afirmam policiais e especialistas.

Ao contrário, o fluxo maciço de refugiados, de perfis às vezes difíceis de verificar, representa um problema de vigilância para os serviços de inteligência, que já estavam sobrecarregados com o número de suspeitos antes da actual crise migratória, acrescentam.

“Até agora não temos nenhum indício de que os jihadistas se misturem aos refugiados”, diz à AFP um alto funcionário dos serviços antiterroristas franceses, que pediu para ter a identidade preservada.

“Antes de tudo porque eles têm recursos financeiros para agir de outra forma e também porque têm documentos, em particular os combatentes europeus, o que lhes permitem voltar para a Europa”, explica. Este foi o caso do francês Mehdi Nemmouche, que atacou o Museu Judaico de Bruxelas em Maio de 2014, depois de retornar da Síria.

“Ao contrário, é certo que os jihadistas tendem a usar cada vez mais as vias terrestres e a fazer escalas para evitar ser localizados pelos serviços de inteligência”, prossegue.

Já Alain Chouet, ex-alto funcionário do serviço de inteligência externa DGSE, considera “ridículo” pensar que exista risco de haver jihadistas infiltrados entre os imigrantes. “Em termos operacionais, não faria sentido algum para uma rede correr tais riscos. Nem sentido, nem utilidade nenhuma”, afirma.

Com passagem de avião e passaporte

“Se um dia o Estado Islâmico perdesse pé no terreno e quisesse lançar uma ofensiva de terror internacional, não enviaria seguidores entre os refugiados: precisariam de um mês para chegar com cinquenta por cento de chances de se afogar… E a missão naufragaria com eles”, continua.

“Se o EI quer mandar homens seus, o fará por avião, com um lindo bilhete e um lindo passaporte (falso, mas lindo) e tudo perfeitamente limpo e em ordem”; além disso “podem encontrar a qualquer momento em nossas periferias três cretinos dispostos entrar em acção ou enviar homens dali, com todo o material necessário e bons contactos na França. Isto se chama montar uma operação”, explica Chouet.

“É possível invocar montes de argumentos sobre os migrantes, mate não se sustentam. Cabe lembrar que até agora (os jihadistas) que cometeram atentados” na França não vieram do exterior, mas viviam na França, destaca.

A ameaça de que haja jihadistas infiltrados entre os milhares de milhares de imigrantes que chegam à Europa foi evocada em Março passado pelo coordenador da UE para a luta antiterrorista, Gilles de Kerchove.

“Devemos nos manter vigilantes. É relativamente fácil entrar na União Europeia misturando-se aos fluxos migratórios”, disse na ocasião.

O ministro espanhol do Interior, Jorge Fernández Díaz, também afirmou recentemente que teme esta infiltração.

Já seu contraparte francês, Bernard Cazeneuve, admitiu que “pode acontecer”. “Mas nós trabalhamos com nossos serviços de inteligência e não concedemos asilo aos que sabemos que têm actividades terroristas”, acrescentou.

Eric Dénécé, que dirige o Centro francês de Investigação sobre a Inteligência, estima que este é o maior perigo. “O verdadeiro problema é que isto vai aumentar ainda mais o número de pessoas a vigiar por serviços que já estão sobrecarregados”, destaca, comentando que “exagerar a ameaça seria completamente idiota, mas negá-la seria totalmente falso”.

“Não se deve exagerar o rumor de infiltração de terroristas entre os refugiados porque isto pode ser utilizado pelos anti-imigrantes que querem que a Europa se feche atrás de barricadas”, mas “não podemos estar certos de que não haja absolutamente nenhum”, continua. (AFP)

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