Jerónimo critica ideia de que “filho de operário tem de ser operário e filho de doutor tem de ser doutor”

(Correio da Manhã)
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O líder do PCP esteve esta quarta-feira no debate televisivo da SIC Notícias que antecede a campanha para as eleições legislativas, onde criticou a “elitização” da educação. Do outro lado da mesa esteve António Costa.

“Devemos discutir a qualidade do emprego”, começou por desafiar Jerónimo de Sousa, durante o frente-a-frente com António Costa, acusando o Governo de “disfarçar” os números “com critérios de formação profissional e outras múltiplas formas de chamar emprego aquilo que não o é”.

Para o secretário-geral do Partido Comunista, a solução para o problema estrutural do emprego é o desenvolvimento económico “com base nos nossos recursos e potencialidades”. Sem afastar o investimento privado, o líder do PCP defendeu a necessidade de existir investimento público.

Para isso, é preciso, diz o PCP, “respeitar quem trabalha através da valorização dos salários”, propondo um aumento do salário mínimo para os 600 euros mensais. “Aumentando a riqueza, coloca-se a questão de a distribuir melhor”, justifica. “Quando somos ofendidos, o nosso empenho altera-se. Este deve ser um eixo de uma política alternativa”, sublinha.

Já António Costa não se compromete com um aumento do salário mínimo, dizendo que essa deve ser uma decisão que, entre outros factores, “acompanhe a evolução da inflação”. Esta posição valeu ao candidato socialista uma critica de Jerónimo de Sousa, que lamentou que o PS se recuse a “quantificar ou a calendarizar compromissos”, como a alteração dos escalões do IRS, sublinhando que é essa postura que leva à ausência de cumprimento de promessas.

Sobre o tema da educação, o líder comunista afirmou que a “questão central é a defesa da escola pública”, registando que tem acontecido o oposto. Neste ponto, Jerónimo de Sousa aproveitou para criticar “a ajuda do PS” na “alteração constitucional” que transformou o ensino gratuito em “tendencialmente gratuito”.

Relativamente à “elitização do ensino” e do peso das questões económicas no acesso ao ensino superior, Jerónimo exemplificou: “na fábrica dizíamos: filho de operário tem de ser operário e filho de doutor tem de ser doutor”. Também Costa criticou o programa da coligação, que, segundo o líder socialista “transfere verbas para o ensino privado”.

A propósito do sector da saúde, os dois secretários-gerais concordaram com a importância do peso público, sem que Jerónimo de Sousa deixasse de defender a abolição das taxas moderadores “colocado por obra e graça do PS para moderar o acesso” e que, diz “acaba por funcionar inconstitucionalmente como um fundo de receitas para o Governo”.

“Para os portugueses pagar uma taxa moderadora, uma consulta, um exame, o transporte e a medicação significa fazer uma opção: ir fazer essa consulta ou não almoçar”, garante o líder do PCP, reforçando que não se trata de uma dramatização. O líder socialista respondeu com a proposta do PS que prevê repor as taxas moderadoras ao valor praticado em 2011, destacando que actualmente cerca de um terço das despesas de saúde são suportadas pelas famílias. (Jornal de Negócios)

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