Jerónimo acusa Costa: “Não basta parecer, é preciso ser de confiança”

JERÓNIMO DE SOUSA (D.R)

O líder da Coligação Democrática Unitária (CDU), que junta PCP e “Os Verdes”, defendeu que “não basta parecer, é preciso ser” de confiança, numa referência ao ‘slogan’ dos cartazes do secretário-geral socialista, António Costa.

JERÓNIMO DE SOUSA (D.R)
JERÓNIMO DE SOUSA (D.R)

Em entrevista à Lusa, Jerónimo de Sousa desvalorizou as declarações do primeiro-ministro, Passos Coelho, no sentido de se estar “a lixar” para as eleições legislativas, pois, através de “mistificações”, quer “enganar outra vez os portugueses” e classificou também o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, como “irrevogavelmente habilidoso”. O líder comunista diz-se “autêntico”.

“Nestas coisas, não basta parecer, é preciso ser… e ser de confiança passa, necessariamente, por demonstrar que se quer exercer o poder para executar uma política diferente, que consideramos fundamental, patriótica e de esquerda. Independentemente das declarações e exercícios do PS, aquilo que se verifica é uma grande omissão em relação àquilo que o país precisa, não é o PCP que precisa… quando se diz que se é de confiança, não basta afirmá-lo, é preciso sê-lo”, resumiu.

Entusiasmado pela “boa sondagem” na recente 39.ª Festa do ‘Avante!’, por reunir “cerca de 50 mil pessoas num comício”, além de 50 delegações internacionais e “muitas dezenas de pessoas que acharam que era altura” de se inscreverem como militantes “em plena festa”, Jerónimo de Sousa mostrou-se crente em “mais votos e deputados da CDU” a 04 de outubro.

“Acompanharemos todas as propostas e iniciativas que sejam boas para o país, venham de onde vierem. Estamos a falar do PS como de outros. Ao contrário do que se pensa, ao longo destes quatro anos, o PCP votou a favor de muitas e muitas propostas do PS. Não existe aqui uma reserva mental, um ‘não, porque não’. O PS não fez a mesma coisa. Esta abertura e disponibilidade verificou-se nas coisas concretas”, lamentou.

Assim que tomarem posse, os deputados da CDU vão tentar fazer passar as “medidas urgentes” no parlamento: aumento do salário mínimo nacional para 600 euros, reposição dos cortes em salários e pensões, defesa da Segurança Social, a par das “estruturantes” renegociação da dívida e investimento e crescimento económicos, através da produção nacional.

“Não temos um bloqueio qualquer, inventado ou por razões de tática eleitoral. O problema em cima da mesa é a política de direita, independentemente de quem a executa, o nosso adversário principal. Os portugueses têm verificado que o PS, no Governo ou nestes quatro anos, está comprometido com essa política… os executantes foram PSD e CDS, mas verificando-se o comprometimento do PS e a sua deserção no combate a estes executantes”, continuou.

Para o secretário-geral do PCP, o programa do PS falha ao não atacar questões como o serviço da dívida (juros de nove mil milhões de euros até 2016), o Tratado Orçamental e as sanções pelo défice com “critérios sufocantes”, os direitos dos trabalhadores, além da polémica baixa da Taxa Social Única para a Segurança Social ou as privatizações.

“Não sou tão radical que não diga que, aqui ou acolá, possa ter havido uma ou outra medida positiva, mas tenho uma dificuldade imensa em encontrar uma posição da qual se diga assim, ‘aqui está uma boa malha, o Governo, afinal, é capaz de fazer coisas boas'”, relativizou, questionado sobre algum acerto da atual coligação Portugal à Frente, perante as estatísticas, para logo criticar a “preocupação caritativa” do executivo, pois um “pobre gosta de ajuda para a sua sobrevivência, mas o seu anseio maior é deixar de ser pobre”.

Jerónimo de Sousa considera que Passos Coelho teve um “desabafo para tentar desdramatizar a violência das medidas que estava a executar contra trabalhadores e povo” ao desvalorizar a importância da sua reeleição e, prova disso, são o Programa de Estabilidade e o Plano Nacional de Reformas enviados para Bruxelas.

“O PSD executou até à última gota o pacto de agressão porque estava na sua natureza. Agora vai apresentar outra vez o anúncio da terra do leite e do mel, de que ‘agora é que vai’… querem enganar outra vez os portugueses”, traduziu.

Sobre o “n.º2” do executivo e da coligação, o líder comunista considera que “é, irrevogavelmente, um habilidoso, um taticista que consegue provar que dois mais dois não são quatro, mas a habilidade discursiva não é suficiente”.

“Quer disfarçar, mas todas as suas bandeiras – da agricultura, do contribuinte, do reformado – foram, claramente, derrubadas pela sua ação própria e corresponsabilidade neste Governo”, sentenciou.

Pessoalmente, o secretário-geral do PCP vê-se como “um cidadão comum a quem foram atribuídas responsabilidades particulares”, “animado pelas convicções” e com o “melhor prémio”: “sentir que, no partido”, mas também fora, “muita gente estende a mão e incentiva a continuar”. (Noticias ao Minuto)

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