Hospital condenado por negligência por comprometer hipóteses de sobrevivência de doente

(D.R)
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Tereza Coelho morreu em 2009, por choque séptico devido a pneumonia. Hospital da Cuf exigia 11 mil euros à família da doente, mas acabou por ser condenado a pagar indemnização de 248 mil euros.

O Hospital Cuf Descobertas, em Lisboa, foi condenado a pagar uma indemnização por “perda de chance” de sobrevivência à família de uma doente que ali morreu, na sequência de um choque séptico. A sentença, que é invulgar em Portugal, foi conhecida esta terça-feira e noticiada pelo jornal Público.

Trata-se do caso de Tereza Coelho, ex-jornalista e diretora editorial da Dom Quixote, que morreu aos 49 anos na sequência de uma septicemia, uma infeção generalizada, a 17 de janeiro de 2009. No dia 31 de dezembro de 2008, dirigira-se ao Hospital da Cuf Descobertas pelas duas da madrugada, tendo sido diagnosticada com uma amigdalite. Nos dias anteriores, tinha tomado antibiótico, por estar a fazer tratamento para o que julgava ser uma infeção respiratória. Foi observada por um especialista em medicina desportiva que a mandou embora sem fazer uma radiografia ao tórax.

Sete horas depois, voltou à urgência e os médicos que a atenderam consideraram, indica o Público, que o seu estado era muito grave. Foi intubada e submetida a vários exames. Viria a morrer por choque séptico devido a pneumonia, 17 dias depois.

“Numa sépsis (infeção generalizada) grave diagnosticada na primeira hora, a probabilidade de sobrevivência é de quase 80%, percentagem que desce para cerca de 40% quando passam cerca de 3 horas, e ao fim de 12 horas apenas 20% dos doentes sobrevivem”, lê-se na sentença da 1.ª Secção do Tribunal de Lisboa, que condenou o hospital a pagar 248 mil euros à família da doente.

O primeiro processo na justiça, porém, tinha sido movido pelo hospital, que pertence ao grupo Mello Saúde, que exigia o pagamento de uma conta superior a 11 mil euros pela permanência da doente na unidade de saúde. A família rispostou e o hospital acabou por ser condenado a pagar uma indemnização mais de 20 vezes superior, por negligência. (dn.pt)

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