FLEC refuta críticas de ONG angolanas sobre ameaças a chineses em Cabinda

Jean-Claude Nzita (DW)
Jean-Claude Nzita (DW)
Jean-Claude Nzita (DW)

ONG angolanas criticaram recentemente ameaças da FLEC a cidadãos chineses e, em resposta, o movimento separatista pede a essas organizações para exigirem um diálogo entre o grupo armado e as autoridades de Angola.

Face às recentes críticas de algumas ONG angolanas concernentes às ameaças da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC) a cidadãos chineses em Cabinda, a direção daquele movimento contactou a DW África para negar qualquer atitude belicista em relação aos estrangeiros que trabalham no enclave.

Em entrevistas separadas concedidas na semana passada à DW África, três ONG angolanas, a OMUNGA, a Organização Humanitária Internacional (OHI) e o Fórum Cabindês para o Diálogo condenaram a atitude da FLEC que, através de um comunicado, em junho passado, ameaçava os cidadãos chineses que trabalham em Cabinda, dizendo-lhes para abandonarem a região, num prazo de 63 dias, sob pena de serem “punidos severamente”.

FLEC não aceita críticas das ONG

Em entrevista à DW África, Jean Claude Nzita, porta-voz da FLEC, lamentou o facto de as ONG angolanas terem condenado a atitude do movimento separatista.

“Não aceitamos a crítica, porque temos sempre solicitado um diálogo com as autoridades angolanas. Há anos que a FLEC está a exigir um diálogo. Portanto, as ONG devem condenar, sim, Angola, por não ter aceite a nossa proposta de diálogo. Estamos tristes com esta condenação, porque essas ONG deveriam, em primeiro lugar, condenar o Governo angolano por não querer dialogar com a FLEC”.

Segundo Claude Nzita, a FLEC tem defendido sempre a pacificação de Cabinda. Por isso, afirma, o movimento está “pronto para negociar com as autoridades de Luanda”, uma proposta que “as autoridades têm sistematicamente recusado”. “São as autoridades angolanas que querem a guerra em Cabinda e não a FLEC”, sublinhou o porta-voz do movimento separatista cabindês.

Embora tenha insistido que o Governo da República Popular da China deve repatriar urgentemente todos os seus nacionais do território de Cabinda, Jean Claude Nzita disse, por outro lado, que “os chineses nunca foram ameaçados”. “Cabinda está em guerra e, por conseguinte, os chineses não podem vir aqui criar mais problemas, porque a FLEC não garante a segurança desses estrangeiros na região. Temos de solucionar com os angolanos o problema de Cabinda antes de qualquer país estrangeiro começar a explorar as nossas riquezas. Por isso dissemos aos chineses que deveriam abandonar Cabinda”, explica.

“Somos defensores da Paz” afirma porta-voz da FLEC

Para o porta-voz da FLEC, a decisão do ultimato dado aos chineses veio do alto comando militar do grupo armado “porque os chineses apoiam os angolanos, oferecendo armas para matarem os cabindeses, quando, na realidade, somos defensores da paz”.

O porta-voz da FLEC aproveitou a entrevista com a DW África para lançar um apelo “a todas ONG, nacionais e estrangeiras”. “Peçam ao Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, para aceitar sentar-se à mesa de negociações com os cabindeses por forma solucionar o problema de Cabinda. A FLEC está pronta para este diálogo”, pede Jean Claude Nzita.

A FLEC luta pela independência de Cabinda, província de onde provém a maior parte do petróleo angolano, e considera que o enclave é um protetorado português, tal como ficou estabelecido no Tratado de Simulambuco, assinado em 1885. (dw.de)

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