Ex-BESA atira lucros da banca angolana para metade em 2014

(Foto: D.R.)
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Os lucros da banca angolana caíram 50% em 2014, influenciados pela situação no ex-Banco Espírito Santo Angola (BESA), segundo a análise que a consultora Deloitte apresentou esta terça-feira em Luanda.

Angola contava em 2014 com 23 bancos e o resultado líquido do sector caiu para 45,4 mil milhões de kwanzas (300 milhões de euros), comparando com o ano anterior, devido ao ‘caso BESA’, que foi transformado em Banco Económico, após intervenção do Banco Nacional de Angola (BNA).

“Não considerado esse efeito [ex-BESA], os resultados líquidos do sector teriam registado um crescimento de 12%”, conclui a 10.ª edição do estudo “Banca em Análise”, que analisou dados do BNA, mas sublinhando não ter tido acesso a demonstrações financeiras de algumas instituições, nomeadamente do banco antes controlado pelo BES português, que então contava com um crédito malparado superior a três mil milhões de euros.

“A banca angolana mostrou mais uma vez a resiliência que tem demonstrado nos últimos anos, crescem os principais indicadores, ao nível do crédito e dos depósitos, do volume total de activos. Face ao contexto em que estamos, eu diria que [o sector] está bem”, enfatizou Nuno Alpendre, da Deloitte.

Em 2014, o Banco de Fomento Angola (BFA), detido pelo português BPI,  foi o que mais lucrou, com 31,7 mil milhões de kwanzas (210 milhões de euros), seguido do BIC, com 20,5 mil milhões de kwanzas (135,8 milhões de euros) e do Banco Angolano de Investimento (BAI), com 12,8 mil milhões de kwanzas (84,8 milhões de euros).

O Caixatotta, detido pelo banco português Caixa Geral de Depósitos, está agora em quarto lugar (resultados líquidos), com o seu melhor resultado de sempre, que ascendeu em 2014 a 9,1 mil milhões de kwanzas (60 milhões de euros).

O estudo da Deloitte refere ainda que o crédito líquido a clientes em Angola aumentou 8% face a 2013, ultrapassando, em valores agregados, os 2,930 biliões de kwanzas (19,3 mil milhões de euros).

Contudo, o crédito vencido também disparou, 11,2%, e ascende actualmente a 14,5% do total, equivalente por isso a cerca de 2,8 mil milhões de euros.

“Continuam a manter-se alguns desafios relevante, devendo o sector estar atento à evolução desfavorável dos rácios de crédito vencido que se verificou neste último ano”, alertou Nuno Alpendre.

Em termos globais, o volume de activos das instituições financeiras angolanas cresceu 7,26%, face ao ano anterior, para 7,129 biliões de kwanzas (47,6 mil milhões de euros).

O Banco de Poupança e Crédito (BPC), estatal, continua a ser o maior banco em Angola, com 16,8% dos activos nacionais, logo seguido do BAI (15,4%) e do BFA (15,1%).

Apesar do cenário actual de crise económica, financeira e cambial no país, decorrente da forte quebra da cotação do barril de crude no mercado internacional, Nuno Alpendre prevê que a banca angolana continue a crescer em 2015, apesar de ser um ano “um bocadinho difícil”.

“Iremos ter um estudo também com crescimento no próximo ano [relativo ao desempenho de 2015], estou convicto que sim”, apontou o responsável daquela consultora, em declarações aos jornalistas.

Neste estudo, que se realiza pelo décimo ano, a Deloitte compara os bancos que operam em Angola em termos de dimensão, rentabilidade e eficiência, juntando estudos globais da economia e do sector, bem como entrevistas “com os seus protagonistas”.

Além dos 23 já em funcionamento, perspectiva-se a abertura de mais seis bancos em Angola. (jornaldenegocios.pt)

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