Estudantes deixam marcas na Serra da Leba

(Foto: Vladimir Prata)

Vinte estudantes de várias escolas do primeiro ciclo do ensino geral da província do Namibe participaram, ontem, na pintura artística dos murais da Serra da Leba, no âmbito do projecto artístico e de turismo cultural, denominado  “Murais da Leba – Angola 40 Anos”.

(Foto: Vladimir Prata)
(Foto: Vladimir Prata)

Os alunos começaram a pintar dia 17, uma parede de 100 metros de comprimento e dois de altura, perfazendo um total de 200 metros quadrados, com obras que destacam a natureza e a cultura própria da região, para além de outros desenhos livres.

Participaram alunos da Escola de Formação de Professores, 1º de Maio, Gabriel Kwanhama e Bom Deus, com apoio de professores de Educação Visual e Plástica (EVP) e artistas ligados à direcção do projecto, que visa comemorar a data da independência nacional.

O artista plástico Gustavo Carneiro, professor de EVP e coordenador do grupo, louvou a entrega e dedicação dos alunos e dos seus colegas, manifestando satisfação pelo convite para participar na pintura de murais na Serra da Leba.

Gustavo Carneiro, que é igualmente pioneiro na arte de pintar murais na província do Namibe, destacou no seu trabalho a conjunção de cores frias e quentes, transmitindo a frescura das ondas do mar que reflectem as praias que banham o deserto.

“Queremos deixar a nossa marca, os traços que caracterizam a nossa cidade, nestes Murais da Leba”, disse.
A estudante Plácida Dumbo mostrou-se feliz e orgulhosa por fazer parte de um projecto que vai ter visibilidade a nível mundial.

Referiu ter participado antes em pinturas de outros murais, em escolas e noutros pontos da província do Namibe, sob coordenação do professor Gustavo Carneiro. O artista Manuel Rafa, e o director artístico do projecto, Thó Simões, ambos de Luanda, também participaram nos trabalhos.

As próximas pinturas prevêem envolver mais artistas do Namibe e da província da Huíla, para além de outros que residem em Luanda.

Thó Simões apelou a sensibilidade dos empresários angolanos no sentido de apoiarem o projecto, que tem como objectivo restaurar as paredes da Serra da Leba, vandalizadas com dizeres obscenos, tornando-as zonas de referência artística e muito mais atractivas do ponto de vista turístico.

“Entendemos que a situação de crise económica por que passa o país coloca alguns empresários em situação difícil, mas acreditamos que alguém de boa-fé e com sensibilidade para a arte e cultura pode apoiar-nos”, disse o director artístico.

O projecto “Murais da Leba – Angola 40 Anos” inclui a elaboração de pinturas artísticas numa extensão de seis mil metros quadrados de parede na Serra da Leba, realização de oficinas de arte e de um festival musical, na Praça das Mangueiras, região rodoviária que liga as províncias do Namibe e da Huíla. O projecto vai contar com um filme documentário para retratar a participação de artistas nacionais e estrangeiros, e narrar a história e o ambiente da região da Serra da Leba.

O documentário, cujas filmagens tiveram já início, está a ser produzido pelo produtor brasileiro Juca Badaró, com o título “As Cores da Serpente”, uma referência à estrada que serpenteia a Serra da Leba e que se reveste de grande importância para as províncias do Namibe e Huíla. (Jornal de Angola)

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