Diretor de informação da RTP na mira dos socialistas

(D.R)
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Dirigentes do PS acusam canal público de tomar “opção partidária” com “Prós e Contras” com mote dado por Paulo Rangel. João Galamba pede demissão de Paulo Dentinho.

“O diretor de informação da RTP, Paulo Dentinho, só tem uma alternativa: demitir-se.” Foi assim que o deputado do PS João Galamba reagiu no Facebook quando soube que ontem iria decorrer na RTP um Prós e Contras sobre a justiça em Portugal partindo da controversa frase do eurodeputado Paulo Rangel na Universidade de Verão do PSD: “Alguém acredita que se o PS estivesse no governo haveria um primeiro-ministro sob investigação?”

Porém, contactado pelo DN, Galamba recusou alongar-se. “O meu comentário e a situação são autoexplicativos”, respondeu o membro do Secretariado Nacional de António Costa, que chegou ao Parlamento pela mão de José Sócrates. Quando questionado se a publicação não poderia, por si, traduzir uma intenção de interferência sobre as decisões do canal público, Galamba foi taxativo: “Há uma diferença entre críticas a um órgão de comunicação e uma interferência na autonomia desse órgão. Aliás, este caso é tão grave que a própria RTP já mudou a promo.”

De resto, a contenção do deputado após o comentário na rede social coincide com a de vários dirigentes socialistas. Nenhum quis falar sobre a opção da RTP, embora sob anonimato alguns não escondam a irritação com a comunicação social. Sobretudo com a estação pública.

Há quem identifique nos media uma “antipatia” em relação ao partido, apesar de ninguém fundamentar. Também é dito que a agressividade e o tom crispado de Costa com o jornalista Vítor Gonçalves, na entrevista concedida à RTP na quinta-feira, terá derivado dessa ideia.

Nessa noite, o líder socialista acusou o entrevistador de “repetir a cartilha da coligação”, de ser “porta-voz de Passos Coelho” e ironizou sobre as propostas do PS, oferecendo-as a Vítor Gonçalves: “Já vi que não teve tempo de as ler…” Ora, também no Facebook, e a propósito do Prós e Contras, o deputado José Lello vincou que “a coligação marcou um anúncio de duas horas de ataque ao PS, grátis”. E prosseguiu: “É tempo de antena da PAF [Portugal à Frente], de Passos-Portas-Rangel! Isto não é asfixia democrática?” (dN)

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