Crescer mais para distribuir melhor não é plano para Angola, diz economista

(OPAIS)
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O economista comentava a actua crise financeira de Angola e tal como outros defendeu a economia angolana tem que passar pela diversificação

Com a queda cada vez mais acentuada do preço do brent e menos previsível no mercado internacional as economias fortemente dependentes do petróleo, como o caso de Angola ficam ameaçadas.

Para o caso de Angola, que 98 porcento das receitas de exportação e 70-75 porcento das receitas fiscais do Estado dependem do petróleo, vive-se uma crise financeira cujos efeitos se ressentem na sua economia e, em particular, na capacidade de aquisição dos bens essenciais dos cidadãos.

Alves da Rocha pensa que o país devia ter a capacidade de estar atento aos indicativos de queda do preço do petróleo no mercado internacional, cujos primeiros sinais foram dados em finais de 2013, com a redução do preço médio do barril em 50 porcento.

“A quebra do preço do petróleo, os primeiros sinais foram dados em finais de 2013.O afundamento do preço do petróleo ocorreu em 2014. Entre Dezembro de 2013 e Dezembro de 2014 o preço médio do barril do petróleo diminuiu 50%”, disse.

A crise internacional de 2008 e 2009 forçou a redução da capacidade média anual de crescimento da economia angolana para 3,1%. Uma quebra que na visão do economista Alves da Rocha é significativa, na medida em que devia ser considerado um sintoma da crise que aliada às indicações do mercado internacional do preço do petróleo, o país teria «a fotografia completa que revelaria a necessidade de diversificação da economia».

«Agora não se fala de outra coisa. Houve um tempo em que a ideia que era importante passar era o “crescer mais para distribuir melhor”. Isto agora deixou de ser uma proposta, aliás nunca deixou de ser proposta, agora é diversificação da economia», explicou.

Para o também Director do Centro de Estudos e Investigação Científicos da Universidade Católica de Angola «não há dúvida que não há alternativa para que Angola possa recuperar determinados índices de crescimento e de transparência».

Para a recuperação financeira do país o economista defende a realização de uma agenda nacional de consenso que envolva todos os actores políticos incluindo os da oposição.

O objectivo segundo o académico é encontrar e adoptar um modelo de desenvolvimento da economia angolana que seja independente do petróleo.

«Eu julgo que é neste momento que tem que se fazer a agenda nacional de consenso, numa situação em que a nação está em crise e em que se pode prever consequências nefastas para a unidade nacional, para reconciliação nacional que do meu ponto de vista ainda não está concluída”, defendeu.

Alves da Rocha, Director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola falava sobre “A crise financeira em Angola”, um tema inserido no painel de discussão sobre a “Situação económica e financeira & governação responsável e transparente”, assunto que foi debatido nas jornadas parlamentares conjuntas da oposição realizadas de 8 a 9 de Setembro.

Durante o referido certame Carlos Rosado de Carvalho, economista e jornalista animou o tema “Crédito financeiro chinês”.  Na sua intervenção o Director do Jornal Expansão fez referência à dívida pública de Angola no final de 2014 contabilizada em cerca de 50 mil milhões de dólares.

Para o economista, com a redução do preço do petróleo, mantendo-se o valor da dívida, o país chegará ao final de 2015 com 57% do PIB de dívida pública, já que, está em curso um novo crédito feito à China.

No mesmo painel foi também prelector o Economista e docente universitário Vicente Pinto de Andrade, que defendeu uma maior autonomia do parlamento angolano, no quadro do combate à corrupção para a melhor execução das políticas económicas gizadas pelo Executivo. (VOA)

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