Cientistas anunciam ter descoberto novo primo distante do homem

Crânio de Homo Naledi, em Johannesburg, no dia 7 de setembro de 2015 (Foto de John Hawks/WITS UNIVERSITY/AFP)
 Crânio de Homo Naledi, em Johannesburg, no dia 7 de setembro de 2015 (Foto de John Hawks/WITS UNIVERSITY/AFP)

Crânio de Homo Naledi, em Johannesburg, no dia 7 de setembro de 2015 (Foto de John Hawks/WITS UNIVERSITY/AFP)

Uma antiga espécie humana desconhecida até agora foi descoberta em uma caverna da África do Sul, onde foram exumados os ossos de 15 hominídeos, uma descoberta “extraordinária” que ressalta a complexidade da evolução humana, anunciou nesta quinta-feira uma equipe internacional de cientistas.

Os fósseis foram encontrados em uma caverna profunda de difícil acesso em Maropeng, perto de Joanesburgo, onde fica a jazida arqueológica conhecida como “Berço da Humanidade”, que é considerada património mundial pela Unesco.

“Estou feliz de apresentar a vocês uma nova espécie do género humano”, declarou Lee Berger, pesquisador da Universidade Witwatersrand de Joanesburgo, durante uma entrevista colectiva em Maropeng.

Em 2013 e 2014, os cientistas encontraram mais de 1.550 ossos pertencentes a pelo menos 15 indivíduos, incluindo bebés, adultos jovens e pessoas mais velhas. Todos apresentavam uma morfologia homogénea, mas ainda não foram datados.

A descoberta, classificada como “extraordinária” pelo Museu de História Natural de Londres, representa a maior mostra de fósseis de hominídeos exumados até hoje na África.

A nova espécie foi baptizada de ‘Homo naledi’ e classificada dentro do género Homo, ao qual pertence o homem moderno.

Mas como era o ‘Homo naledi’?

“Tinha o cérebro minúsculo do tamanho de uma laranja e um corpo muito esbelto”, afirmou John Hawks, pesquisador da Universidade de Wisconsin-Madison e autor de um artigo publicado nesta quinta-feira na revista científica eLife. Tinha altura média de 1,5 metro e pesava 45 quilos.

“Suas mãos permitem supor que tinha a capacidade de manejar utensílios, seus dedos eram muito curvados, ao mesmo tempo em que é praticamente impossível distinguir seus pés dos de um homem moderno”, afirma um comunicado conjunto da Universidade de Wits, da National Geographic Society e do ministério sul-africano da Ciência.

“Seus pés e suas longas pernas indicam que estava preparado para caminhar durante muito tempo”.

Desafio para os cientistas

Os ossos exumados na África do Sul representam um desafio para os cientistas. Complicam um pouco mais o tabuleiro dos hominídeos, pois a espécie descoberta apresenta características próprias tanto dos hominídeos modernos como dos antigos.

“Alguns aspectos do Homo naledi, como suas mãos, seus punhos e seus pés, estão muito próximos aos do homem moderno. Ao mesmo tempo, seu pequeno cérebro e a forma da parte superior de seu corpo são mais próximos aos de um grupo pré-humano chamado australopitecos”, explicou o professor Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres.

A descoberta pode permitir uma compreensão melhor sobre a transição, há dois milhões de anos, entre o australopitecos primitivo e o primata do género homo, nosso ancestral directo.

“A mistura de características do Homo naledi destaca mais uma vez a complexidade da árvore genealógica humana e a necessidade de realizar pesquisas mais exaustivas para compreender a história e as origens de nossas espécies”, disse Chris Stringer.

Os cientistas também se questionam sobre as razões pelas quais os ossos estavam nesta área de difícil acesso, na entrada de uma caverna já conhecida. O túnel para chegar ao local é tão empinado e estreito que apenas os pesquisadores de menor altura conseguiram chegar ao ponto da descoberta.

A área “sempre esteve isolada das outras e nunca esteve em contacto com a superfície”, afirma o comunicado.

“Imaginamos vários cenários, incluindo a possibilidade de ataque de um carnívoro desconhecido, uma morte acidental ou uma armadilha”, disse Lee Berger.

“Chegamos à conclusão de que o cenário mais plausível é que os corpos foram levados voluntariamente para o local. Uma prática que atesta um comportamento surpreendentemente complexo para uma espécie humana ‘primitiva'”, explicou o professor Stringer.

Há vários anos, o “Berço da Humanidade”, uma área com cavernas e fósseis de pré-humanos e uma verdadeira mina de informações sobre nossos ancestrais, é um tesouro para arqueólogos e paleontologistas.

Lee Berger é taxativo: a área onde foi encontrado o Homo naledi “ainda não revelou todos os seus segredos, pois ainda podem existir centenas, inclusive milhares, de fósseis de Homo naledi para exumar”. (afp.com)

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