Christie’s está em Portugal para descobrir joias valiosas

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A maioria dos portugueses desconhece o valor das joias e pedras preciosas que possui. Especialista da Christie’s vem a Portugal descobrir tesouros que possam ser leiloados em Londres.

Só quando se dirigiu ao Instituto Gemológico Português, António (chamemos-lhe assim) descobriu que 90% das pedras que comprou ao longo das suas viagens como sendo preciosas eram falsas. “Quando descobriu que eram imitações, mudou de cor dez vezes. Ficou doido.” Melhor sorte teve um sexagenário que, em 2010, levou a sua coleção de pedras preciosas ao evento de avaliação de joias “Quanto vale o anel da sua avó?”, tendo confirmado que todas eram verdadeiras. Entre elas estavam uma granada de tsavorite e uma alexandrite olho-de-gato. “Valem uma fortuna. Dava para descansarmos durante algum tempo”, conta José Batista, presidente do IGP, sem revelar quanto valem.

Nas avaliações há quase sempre surpresas, mas nem todas são boas. Os casos acima referidos são dois dos que mais marcaram o avaliador José Batista, que acredita que a maioria dos portugueses não tem noção do valor real das joias que tem em casa. Para ajudar a esclarecer se o que reluz é mesmo ouro, uma especialista da leiloeira Christie’s estará em Lisboa amanhã e na quinta–feira a fazer avaliações gratuitas. Se Francesca Valentini descobrir um tesouro, e o dono assim o entender, a peça será leiloada em Londres.

Quem estiver interessado em saber o valor das suas joias, só tem de combinar uma hora e um local com a agente da Christie’s. “Aparecem sobretudo joias do final do século XIX, alfinetes, anéis, esmeraldas e conjuntos que se davam nos casamentos com pulseira, colar e brincos”, conta Mafalda Coutinho, agente da empresa em Portugal. Com menor frequência, surgem também “joias francesas assinadas”. Muitas pessoas, adianta a representante, querem apenas saber o valor das peças que têm e não avançam para leilão.

Como exemplo, Mafalda Coutinho fala de um alfinete que triplicou o valor estimado no leilão em Londres. “A vantagem de ir a leilão é que há uma estimativa, mas as peças podem subir bastante. Há sempre boas surpresas”, refere. Os clientes gostam de discrição e, por isso, não adianta onde vão decorrer as avaliações.

Para o presidente do IGP, “são sempre bem-vindos aqueles que vierem para informar os proprietários do valor do património que têm, porque a maior parte das pessoas não tem o valor atualizado dos seus bens”. Foi precisamente com esse propósito que o IGP criou a iniciativa chamada “Quanto vale o anel da sua avó?” em 2009. “Foram derretidas muitas obras de arte por desconhecimento. Quanto mais informadas estiverem as pessoas, menos isso acontece”, justifica.

A “necessidade de vender” faz que algumas pessoas “sejam mal informadas, porque não têm tempo e tranquilidade para consultar vários peritos e fazer comparações”. É sobretudo nesses casos que ocorrem as confusões. Mas não é um problema exclusivamente português. “Acontece em Espanha, Itália, França. Nem imagino o que se passa na Grécia, onde existe uma tradição profunda no setor.”

Desde 2008, diz José Batista, “queimaram-se muitas peças importantes que deviam estar expostas”. Por vezes, há “a ideia errada de que lá fora as joias valem mais, mas há algumas que saem do país e que cá até são mais valiosas. Em 90% dos casos têm tanto ou mais valor em Portugal. É claro que há exceções e, por vezes, o mercado internacional percebe melhor o valor da peça”.

Entre as maiores surpresas que teve ao longo de mais de três décadas de experiência, o presidente do IGP refere joias que pertenceram a mulheres de reis, peças de finais do século XVII, século XVIII e XIX. Pelas suas mãos passam joias com valores difíceis de calcular, por não existirem termos de comparação.

Relativamente ao português enganado na compra das pedras preciosas, José Batista refere que é sobretudo nos países de origem que os clientes são mais burlados, porque se deixam levar pelos preços atrativos. Já o sexagenário que possui uma vasta coleção de preciosidades, tem também um grande conhecimento na matéria. “Compra por amor, mas está informado. Tem pedras que 99,9% dos portugueses não sabe que existem. Foi uma grande surpresa: um português à descoberta do mundo das pedras.” (dn.pt)

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