Catarina exige que Passos e Portas abram o jogo: “Que impostos querem subir?”

(D.R)
(D.R)
(D.R)

Porta-voz do BE usa relatório da Comissão Europeia como arma de arremesso insinuando que os líderes da PaF andaram a negociar novas medidas de austeridade com Bruxelas.

À tarde limitou-se a pedir silêncio à Comissão Europeia até domingo, dia de eleições. À noite Catarina Martins ancorou-se no relatório do executivo comunitário que abre a porta ao aumento de impostos nos próximos anos para acusar PSD e CDS de terem cartas escondidas na manga. Por isso, e dizendo que foi Bruxelas que se “descoseu” desta vez, a porta-voz do BE desafiou Pedro Passos Coelho e Paulo Portas a dizerem “que impostos são estes que querem subir”.

Para a líder bloquista, o défice acima dos limites acordados com Bruxelas – no primeiro semestre do ano cifrou-se em 4,7% do PIB – vai resultar em mais austeridade, recusando que tenham sido os responsáveis europeus a “inventar sozinhos” qualquer pacote de agravamento fiscal. “Ficamos a saber que, para lá do programa escondido de cortar as pensões acordado com Bruxelas e que não está no programa eleitoral, PSD e CDS também têm um programa acordado com Bruxelas de aumentar os impostos. Desta vez não foi Maria Luís Albuquerque que se descoseu, foi diretamente a Comissão Europeia”, começou por afirmar no quente comício que encerrou o nono dia de campanha do partido, em Coimbra.

Salientando que “com certeza alguém andou a negociar alguma coisa com Bruxelas”, a porta-voz do BE fez a pergunta “que PSD e CDS têm de responder antes das eleições: quais são os impostos que andaram a negociar com Bruxelas aumentar. Quais são? Quanto é? Mostrem-nos a conta”, desafiou Catarina Martins.

Mas os ataques não cessaram. Catarina disse que o primeiro-ministro “tem alguma dificuldade em dizer ao que vem porque se o fizer a imagem não é bonita” e usou o feitiço contra o feiticeiro, isto é, a lógica de Passos contra o próprio Passos. “Explicou a sua doutrina sobre eleições: quem perde, sai. Portanto, ficamos a saber que segunda-feira o PSD terá um lugar vago para tentar ocupar porque nestas eleições a direita será derrotada”, vaticinou sob um forte aplauso de uma plateia onde estavam, entre outros, Francisco Louçã, João Semedo, Marisa Matias e José Manuel Pureza. Este último, cabeça de lista do BE no círculo de Santarém, que ouviu os apoiantes bloquistas gritarem “Chegou o momento, Pureza ao Parlamento”.

Catarina Martins juntou-se ao coro e terminou o discurso defendendo que “Coimbra precisa novamente de um deputado de esquerda”, convicta de que o BE vai eleger o ex-deputado e cabeça de lista pelo distrito também nas eleições de 2011 em que o partido perdeu metade da representação na Assembleia da República.

A rematar a intevenção de cerca de 25 minutos, a porta-voz nacional assegurou que o partido não faltará a uma solução governativa que não corte salários ou reduza pensões, mas deixou um aviso que terá feito ferver as orelhas a António Costa: “Seremos incansáveis opositores de quem quiser atacar mais quem vive no nosso país.” (dn.pt)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA