Catarina e a natalidade: “Creches são mais caras que propinas da universidade”

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Líder do BE visita Maternidade Alfredo da Costa e denuncia “saída massiva” dos profissionais de saúde. E faz paralelismo entre uma família que esgota o orçamento mensal no dia 15 e o défice do primeiro semestre deste ano.

“As creches em Portugal são mais caras que as propinas da universidade.” Foi esta a frase utilizada esta quinta-feira por Catarina Martins para criticar o modelo de apoio à infância existente em Portugal e para explicar que, também por esse motivo, o país tem dificuldades em inverter a quebra demográfica que há muito se verifica no país.

Para a porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), que visitou a Maternidade Dr. Alfredo da Costa e esteve reunida cerca de uma hora com o conselho de administração e com os diretores de serviço do hospital, “precisamos de creches públicas, é preciso apoio, não podemos ter as crianças de quatro anos a pagar o mesmo passe de autocarro que um adulto”.

E prosseguiu elencando algumas das ideias do BE para inverter o declínio demográfico, até porque Portugal, de acordo com os números do ano passado, era o país com a taxa de natalidade mais baixa da União Europeia (7,9 crianças por cada mil habitantes): “Precisamos do abono de família. Creches, abonos, transportes, todos os apoios às famílias têm de ser dados, mas precisamos também de emprego e de salário.”

Outro dos problemas que Catarina Martins identificou – e explorou na visita à maternidade – foi o da emigração das pessoas em idade ativa, fase em que têm filhos. Centrando-se nos profissionais de saúde, observou que “o governo cortou todos os anos o orçamento do Serviço Nacional de Saúde por causa do sacrossanto défice” e notou ainda que médicos e enfermeiros vivem sob “uma política de salários baixos e muitas horas de trabalho” diárias.

A rematar recuperou o tema do défice, desta feita o registado no primeiro semestre deste ano (4,7% do PIB), para atacar o executivo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas: “A direita que gosta tanto de utilizar exemplos das famílias quando fala de défice e dívida, talvez gostasse de responder à pergunta ‘Se uma família no dia já tiver gasto o salário que entra em casa, como vai chegar a dia 30?'”. (dn.pt)

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