BODIVA com transacções acima dos 47 mil milhões Kz

(Foto: Ampe Rogério)
(Foto: Ampe Rogério)
(Foto: Ampe Rogério)

Têm sido negociados títulos de dívida pública maioritariamente em moeda nacional e indexados ao dólar norte-americano.

Desde o arranque da sua actividade, em Dezembro de 2014, a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) transaccionou no Mercado de Registo de Títulos do Tesouro (MRTT) 371 milhões USD, pouco mais de 47 mil milhões de Kz, segundo deu a conhecer em entrevista ao Expansão o seu administrador, Pedro Pitta-Gróz.

Deste montante, explicou, 31 milhões (8%) correspondem a negócios de títulos denominados em dólares norte-americanos, cabendo à negociação de títulos denominados em kwanzas uma parcela de 92%. Relativamente à maturidade dos títulos transaccionados, a média ronda os quatro anos, sendo que apenas se registou um negócio com bilhetes do tesouro, cuja maturidade é inferior a um ano.

Pedro Pitta- Gróz afirmou que se tem negociado, exclusivamente, títulos de dívida pública maioritariamente em moeda nacional e indexados ao dólar norte-americano. “Dadas as suas características, e tendo em conta a actual conjuntura macroeconómica, estes títulos poderão configurar uma excelente solução de investimento para os investidores institucionais e particulares que procuram proteger- se contra a oscilação cambial que temos vindo a registar”, notou.

Indicou que as operações, todas elas efectuadas no MRTT, foram registadas pelo Banco de Fomento Angola (BFA), Banco Angolano de Investimentos (BAI), Banco Millennium Angola (BMA) e Banco de Negócios Internacional (BNI). Neste momento, fez saber, integram a BODIVA seis operadores, todos eles na dupla qualidade de membro de negociação e de liquidação. “Estes membros são, além dos referidos anteriormente, o Standard Bank Angola (SBA) e o Banco Privado Atlântico (BPA)”.

Até ao final, referiu, é objectivo da instituição admitir mais quatro membros, sendo que dois processos estão, neste momento, em curso. Questionado sobre os nomes, o administrador preferiu deixar o anúncio para as datas de formalização dos respectivos processos, “conforme tem sido a prática”. Entretanto, sublinhou que os requisitos de admissão a membro-BODIVA estão em linha com grande parte dos existentes em jurisdições da região.

Todavia, acrescentou, sabendo que os bancos e outros intermediários financeiros passam previamente por um processo de licenciamento junto da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), o conselho de administração da BODIVA decidiu rever todo o processo de admissão dos membros, tendo submetido ao regulador/ supervisor, no mês passado, para registo, uma nova instrução, menos exigente que a anterior.

“Esta instrução define quais os elementos necessários ao processo de admissão a membro, como, por exemplo, informações sobre: a sociedade e os órgãos sociais, a capacidade profissional dos técnicos, a capacidade tecnológica, entre outras”, frisou o administrador. Pedro Pitta-Gróz diz que até ao momento o balanço da actividade da BODIVA está em linha com o esperado, tendo em conta que se está numa fase de implementação da unidade responsável pelos serviços de compensação, liquidação e custódia de valores mobiliários (CEVAMA), clarificando que apenas depois da entrada em actividade desta unidade será possível a admissão à negociação de títulos de empresas (obrigações privadas e acções).

No entanto, avançou que “a implementação da CEVAMA depende, não apenas da conclusão dos trabalhos de customização da plataforma electrónica de pós-negociação, mas, também, do fecho do quadro regulatório para os mercados, tarefas actualmente em curso, e como disse, de grande complexidade. Por outro lado, temos já um mercado a funcionar, o designado Mercado de Registos de Títulos do Tesouro (MRTT), no qual são registados negócios previamente acordados, tendo como instrumentos transaccionados, obrigações e bilhetes do Tesouro”, lembrou. (expansao.ao)

Por: Francisco de Andrade

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA