Bloco: Lesados do BES e emigrantes “expulsos” na agenda de Paris

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Mariana Mortágua fez sucesso entre os lesados do BES. Catarina Martins culpou governo pela a nova vaga de emigrantes

Se dúvidas existiam sobre o impacto causado por Mariana Mortágua na Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BES, estas ficaram definitivamente desfeitas quando a agora cabeça de lista por Lisboa do Bloco e a porta-voz do partido, Catarina Martins, chegaram ontem à tarde a um encontro com emigrantes lesados do papel comercial do banco, em Paris.

“Adoro esta moça! Se a deixassem fazer tudo o que ela tem na ideia, eu penso que ela ia dar-nos uma boa solução!”, disparou Sérgio Morgado, com 200 mil euros bloqueados no fundo poupança Plus, produto em que investiu em conjunto com um filho.

Aos cerca de 20 manifestantes que aguardavam a delegação do Bloco de Esquerda junto à sede do Novo Banco na capital francesa, Mariana Mortágua prometeu manter os esforços para garantir que a situação dos lesados não desaparece da agenda.

“O que temos tentado fazer é que o plano de que tudo caia no esquecimento para que o Novo Banco seja vendido rapidamente – esquecendo milhares de pessoas atrás dele – não se concretize. O que temos tentado fazer é dar visibilidade a estes casos e pressionar para que seja dada uma resposta”, disse a deputada.

Helena Batista, porta-voz do Movimento dos Emigrantes Lesados do BES, disse à Lusa que tem abordado vários partidos para que eles “façam o necessário para que o caso seja resolvido”, enquanto Cristina Semblano, cabeça de lista do BE pelo círculo eleitoral da Europa, prometeu voltar a estar presente em nova manifestação dos emigrantes contra o banco, no dia 26 de setembro, em Paris.

Horas antes, as dirigentes bloquistas almoçaram com portugueses emigrados em vários países da Europa, muitos deles representativos “do meio milhão que saiu recentemente”, disse Catarina Martins, que, de manhã, se encontrou com representantes associativos na Coordenação das Coletividades Portuguesas de França.

“É o retrato do nosso país. Vemos aqui quem tenha estado desempregado, quem tinha sido obrigado a desistir de Portugal, quem estivesse farto de trabalhar com falsos recibos verdes. Estas pessoas fazem-nos falta”, defendeu, considerando que “a única forma de estancar a emigração é emprego com estabilidade e salário”.

O governo e as suas intervenções e medidas em relação aos emigrantes não ficaram esquecidos: “Ainda nos lembramos de ouvir Pedro Passos Coelho a chamar piegas a quem não conseguia sair da sua zona de conforto e a mandar sair do país quem está à procura de emprego, quando ele está a destruir emprego com as políticas de austeridade. Depois, fez este programa inenarrável chamado “VEM” e diz que vai receber 20 emigrantes do meio milhão que foi obrigado a partir”, criticou”.

Catarina Salgueiro Maia, filha do capitão de Abril Salgueiro Maia, foi uma das emigrantes – está no Luxemburgo desde 2011 – presentes no almoço com as bloquistas. Aos jornalistas, explicou que decidiu deixar o seu país por considerar que “Portugal não tem as mínimas condições para dar estabilidade aos jovens que procuram começar uma vida”.

Cristina Semblano, economista na Caixa Geral de Depósitos e professora na Universidade da Sorbonne, disse que “o governo português trata os emigrantes portugueses abaixo de cão” e que “há muito a fazer pelos emigrantes, nomeadamente pelos que estão aqui completamente abandonados”, criticando o fecho de consulados, a supressão de aulas de português e a implementação de uma propina para o ensino de português.

A visita das duas deputadas seguiu-se a outra do líder parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares, que no sábado esteve na capital francesa para apresentar aos eleitores no estrangeiro os candidatos do partido pelo círculo europeu e divulgar um manifesto do partido para a emigração. (DN)

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