Biocom coloca primeiras 20 mil toneladas de açúcar ‘Kapanda’ no mercado angolano

(Foto: D.R.)
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O complexo industrial do Cacuso, Malange, já tem a sua produção deste ano vendida e a sua prioridade é abastecer o mercado interno, reduzindo as importações de açúcar para metade. Quando for atingida a capacidade máxima produzirá 30 mil sacos diariamente

Com efeito, a companhia de Bioenergia de Angola – Biocom começa a dar os seus primeiros frutos, anos após o início da sua implantação no país e início da fase de produção em 2014.

As primeiras 20 mil toneladas de açúcar cristalino com a marca ‘Kapanda’, produzidas na unidade industrial na presente época agrícola 2015/2016, já se encontram comercializadas, segundo adiantou a OPAÍS o director da empresa para as relações institucionais, Luís Bagorro.

O processo de comercialização teve início em Junho último a operadores económicos nacionais nas diversas partes do território nacional.

Diariamente, saem carregados a partir da fábrica, a 370 quilómetros de Luanda, no município de Cacuso, província de Malange, cerca de 10 camiões com 650 sacos.

‘Devido ao problema vivido pelo país devido às importações o nosso açúcar já está todo vendido. Já não tem açúcar para vender’ – frisou o responsável.

O açúcar está a ser comercializados a diversos operadores económicos angolanos a um preço de Kz 4.200 o saco de 50 quilos.

Segundo Luis Bagorro, a produção pode ser considerada ainda pouco elevada, tendo em conta a baixa quantidade de cana-de-açúcar, principal matéria-prima, produzida.

O projecto prevê atingir, até 2020, altura em que a unidade fabril atingirá o máximo da sua capacidade de produção, 2.200 mil toneladas de cana, período em que será alcançada a meta de 256 mil toneladas de açúcar.

Na perspectiva do director da Biocom, a cifra terá um impacto marcante na economia nacional, na diminuição da importação do produto e na estabilização dos preços.

‘Se se mantiverem os níveis de consumo actuais a produção de açúcar poderá ser aumentada em mais de 500 mil toneladas e ser reduzido em 50% o nível de importação de açúcar no país’, acrescentou, referindo que a prioridade é abastecer o mercado interno, cujo consumo é estimado em 400 mil toneladas por ano.

‘Nós, Biocom, não exportamos para fora do país. A produção é destinada ao consumo interno de forma a diminuir o défice existente no país, reduzir ao máximo a importação e aumentar a oferta do produto. O nosso açúcar é para o mercado interno’ – sublinhou.

‘Com a duplicação da fábrica, depois de 2020 teremos cerca de 512 mil toneladas de açúcar por ano e o impacto será ainda muito maior na economia do país, pois serão reduzidos os níveis de importação’, frisou.

Por isso, disse ser aposta da empresa incentivar a produção privada de cana por parte de agricultores com o apoio técnico da Biocom.

Das cerca de 36 mil toneladas de açúcar que se prevê sejam produzidas este ano, só deverão ser produzidas 25 mil toneladas, devido a um fenómeno natural que afectou o processo produtivo da cana.

‘A nossa projecção era de 35,9 mil toneladas de açúcar nesta fase de colheita. A nossa matéria-prima é a cana que também está sujeita aos fenómenos naturais e aqui o concreto são as chuvas. Nesta província choveu um pouco a mais do que estava previsto, levando a que a cana absorvesse muita humidade. Com isso cresceu rápido e floresceu.

Quando elas ganham estas flores perdem a sacarose utilizada para produzir o açúcar e ganham a glicose que não serve para transformar em açúcar cristal mas é aproveitada para a produção do etanol. Quer dizer que este ano vamos produzir mais etanol do que açúcar’ – frisou.

Capacidade para 30 mil sacos por dia

A unidade industrial possui uma capacidade de processamento de 2.200 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por colheita.

Tem actualmente a capacidade de produzir cerca de 10 mil sacos por dia prevendo triplicar esta cifra quando for atingida a capacidade máxima da infraestrutura.

Prevê ainda, nesta primeira fase, a produção de 28 mil metros cúbicos de etanol hidratado e 235.000 megawatts de energia.

Na segunda fase as previsões apontam no sentido da duplicação da produção de cana para 4 milhões de toneladas, 512 mil toneladas de açúcar cristal branco, assim como 56 mil metros cúbicos de etanol anídrico e ainda 470.000 megawatts de energia.

O processo de plantio e de colheita da cana-de-açúcar é mecanizado. A unidade industrial é operada por meio de uma central de operações industriais (COI) com sistemas de automação, controlos e câmaras, que garantem, segundo os operadores, um acompanhamento em tempo real de todas as etapas do processo, influenciando o rendimento e eficiência industriais.

Da energia produzida, através do processamento do bagaço da cana-de-açúcar, 70% do excedente é comercializado ao sistema eléctrico nacional.

O projecto é detido por uma parceria entre o Estado angolano e o brasileiro, através da Sonangol Holding, com 20%, e o grupo Cochan e a Odebrecht Angola, com 40% cada.

Conta com um investimento na ordem dos USD 750 milhões na primeira fase e USD 520 milhões na segunda, depois de 2020.

Ocupa uma área de 82 mil hectares, dos quais 42 mil estão a ser utilizados nesta primeira fase, estando os restantes 40 mil previstos para a segunda.

Situada na província de Malange, no município de Cacuso, a 370 quilómetros de Luanda, a unidade fabril emprega, de forma directa, cerca de 2008 trabalhadores angolanos, dos quais cerca de 1.400 asseguram a parte agrícola, e 224 expatriados.

A unidade industrial da fábrica tem a capacidade montada para moer 2.200.000 toneladas de cana-de-açúcar por ano.

Na fase experimental 2014/2015, que serviu para testar os equipamentos, a Biocom produziu cerca de 3,3 toneladas de açúcar, 26,5 gigawatts de energia e 3,9 mil metros cúbicos de etanol.

História da produção de açúcar em Angola

Os picos de produção de açúcar em Angola tiveram lugar entre os anos de 1971 a 1973. Entretanto, as colheitas baixaram a partir de 1974.

Em 1990, registou-se a menor produção da história do país e, a seguir, fechou a maior açucareira do país, em Benguela, em 1991.

O estado obsoleto das máquinas da unidade industrial, construída nos anos 50, levou ao seu encerramento, tendo acontecido o mesmo com a unidade açucareira existente na capital da província do Bengo, Caxito.

A Biocom encontra-se integrada no Polo Agro-industrial de Capanda (PAC), que conta com uma área de 411.000 hectares, sendo 293.000 destinados ao desenvolvimento agrícola e florestal. Possui igualmente uma área de protecção ambiental de 102.000 hectares, das quais 5.000 possui ocupação humana, contemplando 188 bairros.

Além da Biocom fazem parte do PAC, as fazendas Pedras Negras, Pungo Andongo, Quizenga e a Companhia de Alimentos de Malange. O projecto contempla ainda uma área de 1.500 hectares para o plantio de feijão, mandioca e milho e prevê uma produção de 2.400 toneladas/ano de farinha de bombo. (opais.ao)

Por: José Eduardo Dias

 

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