Benguela: Cimento da Cimenfort chega ao Luau

Sacos de Cimento (Foto: António Escrivao/Arquivo)
Sacos de Cimento (Foto: António Escrivao/Arquivo)
Sacos de Cimento (Foto: António Escrivao/Arquivo)

O cimento da marca “Canawa” e “Bwe”, produzido na fábrica “Cimenfort”, inaugurada em 2012, no Pólo Industrial da Catumbela (Benguela), está actualmente a ser comercializado na região angolana do Luau, fronteiriça com a Zâmbia, numa proporção inicial de dez mil sacos por semana.

O facto foi revelado à Angop, na Catumbela, pelo gestor fabril de projectos, Guilherme Paiva, quando abordado sobre os actuais benefícios da zona industrial local que já conta com mais de trinta unidades produtivas.

Guilherme Paiva indicou que a quantidade de cimento que vai ao Luau está a dependente das disponibilidades dos Caminho-de-Ferro de Benguela que, nesta fase experimental, tem capacidade limitada, comparativamente a demanda da carga.

Ainda assim, frisou, dez mil sacos, equivalentes a 500 toneladas/semana, já servem de alento para essa fase de internacionalização da marca nacional.

Por outro lado, acrescentou, a empresa está a trabalhar no sentido de exportar o seu cimento para o Congo Brazzaville, onde decorrem contactos com uma entidade privada que deverá assumir a função de concessionária naqueles país.

No caso específico do marcado interno, destacou as vantagens da Pauta Aduaneira, que define regras de protecção para a mercado nacional, nomeadamente as quotas de importação para o caso de cimento.

Lembrou que Angola está com uma produção anual de oito milhões de toneladas/ano e o seu consumo, em 2014, rondou seis milhões de toneladas, deixando um remanescente de mais de dois milhões de toneladas, uma realidade que há muito dispensava a aposta nas importações de cimento.

Para casos específicos de regiões com maiores dificuldades de transportação, como Cabinda, Cuando Cubango ou mesmo Cunene, Guilherme Paiva considera que existem quotas para que se possa importar de fronteiras externas mais próximas. “Mas há situações em que o produto nacional chega até lá, mesmo em quantidades irrisórias”, disse.

Admitiu, por outro lado, haver um grande esforço de todas unidades fabris de cimento no país (A Cecil Lobito, Cimenfort, SK do Cuanza Sul, Nova Cimangola e Cif de Bom Jesus), no sentido de manter a oferta e o preço de mercado, mesmo com a perda de valor que a moeda nacional conhece nos últimos tempos, face ao dólar.

“Na pratica nós sentimos os efeitos dessa desvalorização, por um lado, e, por outro, algumas unidades de produção tem paralisado para períodos de manutenção que vão até um mês ou mais, mas a população nunca deu conta de que os preços de cimento tenha subido, ou se tenha registado escassez de cimento no mercado, isso deve ser reconhecido e sublinhado”, defendeu o gestor técnico da Cimenfort, para quem o Estado deveria adoptar, nesta fase, outras medidas, como o caso de redução dos custos com a importação da matéria-prima.

Actualmente, a fábrica da Catumbela tem uma produção de 700 mil toneladas/anos, desde 2012, porém pretende a partir de Janeiro de 2016 duplicar a capacidade para um milhão e 400 mil toneladas anuais.

Em função das dificuldades com a importação do clinquer, a Cimenfort vai adquirir um moderno forno eléctrico capaz de permitir a produção local de clinquer, o que deverá proporcionar maior sustentabilidade e independência da fábrica, em termos funcionais.

Esse investimento, recorde-se, vai triplicar os investimentos da fábrica de Usd 100 milhões iniciais para 300 milhões até 2018. (Angop)

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