Banca moderniza-se, petróleo e gás comprometidos

(Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)

Instituto de Formação Bancária de Angola moderniza-se para atender as necessidades do mercado. Consolidação da formação de um bancário pode levar seis anos. Já o futuro de petróleo e gás está comprometido.

O director do Instituto de Formação Bancária de Angola (IFBA), Cruz Santos, disse ao SOL que, em função do crescimento do sistema financeiro angolano, a instituição que dirige teve de se modernizar para atender às necessidades do mercado. «Ficámos estagnados durante muito tempo quando a formação profissional do sector carecia de actualização», lembrou.

Em 2014 o IFBA assinou um protocolo de cooperação com o Instituto de Formação Bancária de Portugal (IFB), uma parceria para a modernização dos instrumentos de formação do centro nacional, virada para os desafios que o quadro global do sector ainda tem pela frente.

Uma das primeiras tarefas passou pela actualização dos manuais de formação. «O sistema financeiro cresceu e devemos acompanhar o actual contexto macroeconómico», disse o responsável. Por essa razão, os formadores do IFBA têm recebido formação realizada pela congénere lusa. «Estamos acima de 70% da implementação da parceria que estabelecemos», esclareceu Cruz Santos.

O vice-presidente do Sindicato Nacional de Empregados Bancários de Angola (SNEBA), Filipe Makengo, declarou ao SOL que, além de os bancos investirem na superação dos seus profissionais por via do IFBA, muitos recorrem a acções de capacitação ministradas através de consultoras e de parcerias com as similares estrangeiras.

«A formação é sempre necessária, deve ser permanente, não só por parte da hierarquia dos bancos, como de todos os intervenientes para que possamos ter uma prestação de serviço de qualidade», defendeu Cruz Santos.

Capacitação contínua é o caminho certo

Embora alguns operadores do sector bancário nacional possuam os seus centros de formação, o IFBA continua a ser o principal formador de técnicos do sector, com distinção, assegurou ao SOL o responsável.

De Janeiro de 2014 a Abril de 2015 o IFBA formou 458 pessoas indicadas pelos bancos comerciais que operam no país. No que toca a formação particular, foram recebidos 2.843 formandos através de inscrições individuais. «É lamentável que tenhamos priorizado a formação para quadros dos bancos, mas que tenham participado mais das nossas formações particulares. É um quadro que pretendemos inverter», assegurou o director do IFBA.

A falta de ética por parte de alguns funcionários bancários é uma das principais preocupações que inquietam Cruz Santos: «Temos recebido informações segundo as quais alguns profissionais do ramo não têm um comportamento ético, principalmente na relação com o cliente, o que não é bom. Isso é um indicador de que se deve continuar a apostar na formação para um melhor exercício de funções. Os bancos devem formar os seus quadros para estes oferecerem um serviço de qualidade».

Ao contrário do passado, em que se verificava a importação de mão-de-obra de funcionários bancários para assumirem cargos de relevo, sobretudo na banca comercial privada, actualmente este paradigma foi alterado. Ou seja, há uma redução substancial de expatriados nos lugares de destaque da hierarquia dos bancos, assegurou Cruz Santos.

Já Filipe Makengo alertou para a necessidade de os responsáveis dos bancos apostarem na formação constante dos quadros. «Um bom bancário não se forma em dois ou três anos», sendo que, «a carreira bancária passa por muitos pressupostos. As formações devem ser contínuas. Seis anos é o tempo ideal, no mínimo, para um funcionário bancário ter formação consolidada em vários domínios». (sol.ao)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA