Ataques ao PS endurecem. Fundadores dão empurrão à campanha

(Foto: PEDRO NUNES/LUSA)
(Foto: PEDRO NUNES/LUSA)
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Francisco Louçã, Fernando Rosas e Luís Fazenda juntam-se ao maior almoço-comício da história do BE. Catarina Martins, porta-voz bloquista, corrosiva com as indefinições dos socialistas.

Foi a própria Catarina Martins a confirmar aquilo que nas hostes do Bloco de Esquerda (BE) já se dizia há alguns dias: o almoço-comício de ontem no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, foi o “maior que o Bloco alguma vez organizou”. Distribuídas por mesas redondas de 12 lugares, mais de duas mil pessoas foram dar força a uma campanha que a cada dia que passa tem mais oxigénio.

As notícias da morte do BE pareceram manifestamente exageradas e na histórica reunião de tropas de ontem até os fundadores estiveram presentes. Fernando Rosas chegou já com a porta-voz do BE na sala, Luís Fazenda fez-se acompanhar de toda a família, mas Francisco Louçã reclamou para si a maior dose de protagonismo.

Ainda a sopa não estava a ser servida e o antigo coordenador dos bloquistas fazia uma radiografia à situação do partido. “O BE conseguiu relançar-se, renascer, reconstruir a sua base, ser mais forte, mais amplo, ouvir mais as pessoas, e isso é a prova de que a esquerda está na luta”, observou de sorriso estampado no rosto, vincando que espera um resultado “muito forte” nas eleições do próximo domingo, que “ajude a vencer a direita” – sem estabelecer, contudo, uma fasquia satisfatória.

Reconhecendo que o Bloco atravessou momentos amargos nos últimos anos, Louçã defendeu que “um partido aprende sempre com a vida” e que não há ninguém que “tenha sempre dias de sol”. Porém, notou, que o BE soube sarar as feridas e que Catarina Martins demonstrou nos debates televisivos que “havia gente extraordinária e preparadíssima”, disponível para construir uma alternativa, apontando Mariana Mortágua e Marisa Matias como exemplos.

Quanto a entendimentos com o PS, Louçã não se afastou daquele que tem sido o discurso da sua sucessora na liderança do BE. “Não está a ver a esquerda a defender os despedimentos facilitados? Não está a ver a esquerda a defender que se corte a pensões por um bolso ou por outro?”, questionou à frente do palco antes das intervenções do dia, afinando pelo mesmo diapasão que Catarina Martins. E reforçou a tese ao salientar que é “tão cansativo ouvir políticos falar do seu próprio poder”, ao invés daquilo que “querem para o país”.

Estava dado o empurrão de que Catarina nem tem precisado, mas a porta-voz do BE aproveitou o comício para juntar mais pólvora aos ataques que tem feito a António Costa. Uma frase sintetiza o discurso mais longo (40 minutos) desde que a caravana bloquista está na estrada: “O PS é a desilusão destas eleições.”

Isto porque, acrescentou, o PS tem estado “aflito a pedir a maioria absoluta para um programa que não consegue explicar” e ainda que os eleitores não conseguem perceber “como é que a sua austeridade se distingue” da austeridade praticada por PSD e CDS. Na mesma toada, Catarina suscitou um outro fantasma: Bruxelas. Ou, melhor, Berlim. Isto porque interrogou com quem António Costa “já fez compromissos” – falou da chanceler alemã Angela Merkel -, de forma que esteja impossibilitado de os alcançar com o Bloco.

Sobre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas as palavras também não foram meigas. Apelidou o governo de ter sido o mais “extremista e ideológico” em 40 anos de democracia e recuperou uma farpa do primeiro-ministro para a devolver em seguida. “Extremismo, caro Passos Coelho? O consenso social mais alargado numa democracia é a Constituição. Extremismo é ter governado quatro anos contra a lei mais fundamental do Estado”, rematou.

Concluídas as intervenções, e com bandeiras de várias cores, mais de mil dos presentes deixaram para trás o Pavilhão Atlântico. Pela marginal do Parque das Nações, Catarina encabeçou durante 45 minutos aquela que foi descrita como “a maior arruada da história do BE”. (dn.pt)

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