Ataques a abrigos de refugiados duplicam na Alemanha

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Actos de violência aumentaram significativamente nos últimos meses. Ministros aprovam orçamento suplementar e novas leis de asilo no país, visando acelerar os procedimentos e as deportações.

Os ataques a abrigos de refugiados na Alemanha vêm aumentando em níveis alarmantes. Em todo o país, a polícia contabilizou 437 ocorrências, mais do que o dobro do total do ano passado.

Casos registados pela Agência Federal de Investigações (BKA) incluem danos a propriedades, divulgação de propaganda ofensiva e casos de perturbação da ordem pública.

Em poucos meses, esses actos aumentaram em quantidade e gravidade. Na primeira metade do ano, a polícia registou em torno de duzentos ataques a abrigos de refugiados. Ao final de Agosto, esse número subiu para 330, e três semanas mais tarde, superou os 430.

Os casos envolvendo violência somaram 59 ocorrências, das quais 26 foram ataques incendiários – o dobro em relação ao ano passado, quando 28 casos de violência foram registados.

Muitas comunidades alemãs alertam que chegaram aos limites de suas possibilidades de proporcionar abrigo aos migrantes. A Polícia Federal relata que no último domingo houve 4.160 entradas ilegais no país, e no sábado, 3.604.

O governo federal alemão espera um total de 800 mil pedidos de asilo no país em 2015, ou seja, mais do que o dobro do ano anterior. Entretanto, algumas autoridades não excluem a possibilidade desse número chegar a um milhão de pessoas.

Ministros aprovam novas leis de asilo

Para financiar o custo das acomodações aos refugiados, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, previu um orçamento suplementar de mais de 6 biliões de euros. Um porta-voz do ministério em Berlim informou que os estados e municípios receberão neste ano 1 bilião de euros do governo. Outros 5 biliões serão destinados a reservas para o próximo ano, segundo decisão tomada numa conferência entre o governo federal e os estados alemães na semana passada.

Nesta terça-feira (29/09), o conselho de ministros federais aprovou o orçamento suplementar, além de mudanças nas leis de asilo na Alemanha. O pacote de medidas visa a acelerar os procedimentos referentes aos requerimentos de asilo, facilitar o estabelecimento de novos abrigos e promover com maior rapidez o retorno a seus países de origem daqueles que tiveram os pedidos negados.

Essas medidas afectam principalmente os cidadãos dos países dos Bálcãs – aos quais se somam agora a Albânia, Kosovo e Montenegro – que foram considerados “seguros” pelas autoridades. O governo federal considera que os requerentes de asilo provenientes dessas nações não sofrem perseguições políticas e, a partir de agora, poderão ser deportados dentro de um prazo mais reduzido.

Refugiados em centros de primeiro acolhimento deverão receber ajuda em forma de géneros de primeira necessidade – em vez de dinheiro – “sempre que possível”. Para alguns grupos estão previstos cortes de benefícios sociais. Os requerentes de asilo com boas perspectivas de permanecer no país deverão passar por cursos de integração. Além disso, a burocracia para criar novos abrigos para refugiados deve ser reduzida.

O pacote de medidas será submetido a aprovação nas câmaras alta e baixa do Parlamento alemão nas próximas semanas, e deverá entrar em vigor no dia 1º de Novembro. (dw.de)

RC/rtr/dpa/afp/epd/kna

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