As dificuldades de ser estudante universitário em Angola

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Os estudantes queixam-se da falta de laboratórios em algumas universidades e da falta de livros, caros para os jovens. Sem falar das propinas e multas.

As dificuldades começam logo pela falta de livros, tanto nas universidades como nas livrarias angolanas. “Nas bibliotecas, não encontramos os livros que precisamos”, conta a estudante universitária Justina Vieira.

Os alunos dizem que chegam a gastar cerca de 300 dólares para adquirir um só livro.

“A maior parte do acervo bibliográfico é estrangeira e só conseguimos obter fora do país. Aqui, os livros são muito caros. Às vezes, compramos um livro pelo equivalente a cem euros, enquanto que no Brasil o preço ronda os cinco euros”, conta a estudante Isandra Capita.

Investigação é difícil

Por isso, fazer investigação torna-se mais difícil. Ainda para mais quando o acesso a fontes é dificultado.

Isandra Capita, estudante de Comunicação Social, conta que tentou fazer uma pesquisa sobre a Televisão Pública de Angola (TPA), mas nunca obteve resposta. “Enviámos uma carta, mas já passaram dois anos e até agora não nos responderam.”

Outro problema é a falta de laboratórios: “Não temos laboratórios de medicina nem para outras áreas de formação.”

Aumento no preço das propinas

Por causa da crise financeira que se vive em Angola, algumas universidades tentaram alterar o preço dos emolumentos. No entanto, a ideia não avançou em virtude da polémica que se levantou à volta do caso.

Quanto ao pagamento das propinas, os estudantes divergem no que concerne às tarifas praticadas.

O pagamento varia dependendo do curso e da instituição. Atualmente, os preços rondam os 175 euros e podem chegar aos 250, sem contar com as multas a pagar quando um estudante se atrasa no pagamento.

Isandra Capita não está muito preocupada com o valor das propinas. Mas Anselma Marino discorda: “Mensalmente, pago cerca de 175 euros, o que é muito caro para mim, porque o valor não é compatível com o meu salário”. Justina Vieira reclama das multas. Segundo ela, muito pesadas. (dw.de)

por Pedro Borralho (Luanda)

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