Angola precisa de contabilizar o seu gado

(Foto: D.R.)
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Segundo dados do Ministério da Agricultura, Angola desembolsa, por ano, mais de 500 milhões dólares na importação de 100 mil toneladas de carne.

O director provincial da Agricultura de Benguela, Fernando Assis, defendeu recentemente, nesta cidade, que o país precisa “urgentemente” de fazer um censo, para determinar o número exacto da população bovina para aferir se Angola pôde pensar ou não em auto-suficiência na produção de carne e diminuir os níveis de importação. O responsável falava à imprensa à margem de um seminário sobre Zoonoses (doenças transmitidas do animal para o homem, como por exemplo a raiva) que Benguela realizou.

Fernando Assis revelou que Angola não actualiza os dados da população bovina, admitindo que os 3 milhões de animais apontados como dado oficial podem não reflectir o verdadeiro número.

“Trabalhámos com esses números já há vários anos, logo a seguir a Independência. Só é possível saber-se quantos animais temos se realmente se realizar um censo pecuário”, insistiu. O responsável disse que só desta forma é que o país ficará a saber o número de animais e as manadas que tem, a sua proveniência (se é gado nacional ou com algum padrão genético importado) .

Fernando Assis avançou que as estatísticas de que o Ministério da Agricultura dispõe obteve-as através de campanhas de vacinação e que não dão credibilidade aos dados.

“Nem todos os criadores de gado, pela distância ou por um período de estiagem, levam o animal à vacinação, pelo que há a necessidade de se encarar essa questão com muita seriedade”, reiterou.

Uma outra questão que o director da Agricultura levantou está relacionada com identificação animal para se determinar a origem do animal e responsabilizar o criador em caso de o mesmo provocar algum acidente na via pública, o que acontecesse com alguma frequência na estrada que liga o município do Caimbambo à sede da província de Benguela. Entretanto, no que diz respeito à produção de carne, a província abate em média anual 7.590 de cabeças bovino, o que resulta em 1.215.200 quilos de carne.

Benguela preocupada com o seu gado

O director da Agricultura disse que o seu pelouro está preocupado com algumas doenças como o carbúnculo e a pneumonia contagiosa, tendo anunciado que, por orientação do governador de Benguela e dos Serviços de Veterinária centrais, está em carteira a definição de um parque de quarentena “para que os animais que venham da região Sul a transitar para a região Norte o façam sempre com o maior cuidado possível, para evitar a transmissão de algumas doenças”.

Benguela, depois das províncias da Huíla, Cunene e Namibe, já foi a quarta com maior população bovina, estimada em 834 mil cabeças, o que representava 20% da produção nacional.

Esses números foram baixando gradualmente fruto de momentos menos bons por que o país passou. Segundo os registos dos Serviços Veterinários de Benguela, existem cerca 1041 criadores para um universo de 144. 746 cabeças bovinas, repartidas entre produtores empresariais e tradicionais.

Caimbambo é o município que detêm o maior número de bovinos, com 56.978. “É notória, neste momento, a aposta do sector empresarial na introdução das raças puras de origem e alguns cruzamentos de gado bovino de corte e de leite, para obtenção de animais com performance e cruzamentos comerciais com raças locais, visando o aumento da produção de carne e de leite com animais adaptados” refereu o responsável do Departamento Provincial dos Serviços Veterinários, João Mendes de Carvalho. (opais.ao)

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