AIE diz que estratégia da Opep de escaqueirar preço do crude resulta

(Foto: D.R.)
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A Agência Internacional de Energia (AIE), geralmente associada aos interesses dos países consumidores que pertencem à OCDE (o mundo mais desenvolvido), dá razão, no seu boletim mensal, à estratégia da Opep de escaqueirar os preços para colocar os concorrentes que suportam custos de produção mais elevados ‘K.O.’.

A Opep, que extraiu 31,6 milhões de barris por dia em Agosto, vai subir para 32 milhões de barris no segundo trimestre de 2016, um nível que não é alcançado há sete anos, e este aumento será feito à custa de uma diminuição da procura de países e zonas que não pertencem à organização, principalmente Estados Unidos, Rússia e Mar do Norte.

Nestas três zonas, o corte da produção nos poços com custos operacionais mais elevados – que têm sérios problemas de rentabilidade com o barril a USD 60 ou mesmo um valor inferior – poderia atingir 500.000 barris por dia no próximo ano.

No total, para os países que não pertencem à Opep, a diminuição da produção para 57,7 milhões de barris por dia traduziria o maior decréscimo anual em duas décadas.

Muitas das produções de petróleo de xisto norte-americanas estão a confrontar-se com um sério problema de sobre-endividamento e inúmeras foram obrigadas a encerrar ou a suspender a produção.

Esta semana, o Financial Times divulgou dados sobre estas empresas, que revelam uma deterioração dos seus balanços, fruto do seu elevado nível de endividamento.

A facilidade de se financiarem junto do mercado de capitais fez com que o montante da sua dívida tenha duplicado nos últimos cinco ano, passando de USD 81 mil milhões no final de 2010 para USD 169 mil milhões em Junho deste ano.

A AIE estima que a procura global se eleve 1,7 milhões de barris por dia, para 95,5 milhões, a maior subida verificada em cinco anos, o que tem a ver com o baixo preço do barril.

Trata-se de uma previsão que supera em 221.000 barris por dia a estimativa do mês passado da AIE. Esta correcção é quase igual à prevista para 2016, quando se consumirão 95,8 milhões de barris por dia, mais 1,4 milhões do que em 2015.

O relatório sublinha que, no terceiro trimestre deste ano, as estimativas do consumo total apontam para 95,8 milhões de barris por dia, mais 450.000 barris por dia do que a previsão do mês anterior e mais 1,4 milhões de barris por dia do que em 2015 devido aos sinais visíveis nos Estados Unidos, China, Europa e Rússia.

No caso da China, os autores do relatório referem o forte aumento na petroquímica e no sector dos transportes, que “compensa qualquer debilidade aparente da utilização industrial do petróleo”.

Goldman admite barril a USD 20

Menos optimista está a o banco norte-americano Goldman Sachs, que reviu esta sexta-feira em baixa as suas previsões para a evolução do preço do petróleo, esperando uma recuperação mais lenta que o previsto.

“O mercado petrolífero está com um excesso de oferta ainda mais elevado do que o que era esperado e agora estamos a antecipar que este excesso persista até 2016″, justifica o Goldman Sachs em nota

O banco norte-americano admite mesmo que o preço do petróleo possa cair até um mínimo de USD 20 por barril, reconhecendo, no entanto, não ser este o cenário mais provável.

O preço do Brent, tipo de petróleo de referência para as ramas angolanas, encerrou a sessão desta sexta-feira a perder 1,51%, cotando a USD 48,18 por barril na praça de Londres. (opais.ao)

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