África do Sul, “meca” da emigração africana

(AFP)
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Os refugiados que chegam à Europa têm dominado as atenções mundiais. Mas esta não é a primeira opção da maioria. Os países africanos sempre acolheram refugiados e a África do Sul é um dos destinos mais procurados.

Há pouco mais de uma semana, funcionários zambianos pararam uma camião no qual seguiam mais de 100 refugiados etíopes clandestinos. Nenhum dos homens jovens possuía papéis válidos. Por isso, as autoridades zambianas falam de tráfico humano.

No entanto, há muitos etíopes que pagam pela ajuda de contrabandistas, afirma Richard Ots, director da missão da Organização Internacional das Migrações (OIM). “Mas é difícil distinguir entre os que vêm voluntariamente e aqueles que são enganados e depois explorados quando chegam ao destino”, explica.

A África do Sul é um destino de eleição de quem foge de guerras ou parte à procura de trabalho. Segundo a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), este país alberga oficialmente mais de 300 000 refugiados. Mas os números reais são mais elevados, dizem especialistas como Richard Ots, que fala entre dois e cinco milhões.

Refugiados na África do Sul são muitas vezes alvo de ataques xenófobos (REUTERS)
Refugiados na África do Sul são muitas vezes alvo de ataques xenófobos (REUTERS)

Promessas de emprego

A maioria foge de conflitos como aqueles na República Democrática do Congo (RDC) e a Somália. Mas também há migrantes à procura de trabalho do Burundi, da Etiópia, do Ruanda, do Zimbabué e de Moçambique. O que levou à instalação de um sistema de contrabando especializado em pessoas que se estende do Corno de África à África do Sul.

“Os traficantes prometem bons empregos na África do Sul para aliciar as pessoas a emigrar. Alguns vendem tudo o que possuem para pagar aos traficantes e fugir”, conta Tamru Abebe, dirigente da comunidade etíope na África do Sul.

A África do Sul concede a refugiados o direito a trabalho e o acesso a benefícios sociais. No entanto, muitas instituições públicas não reconhecem a sua identificação como refugiado e recusam-lhes os seus serviços.

Além disso, também não e fácil encontrar emprego, diz Richard Ots. “A África do Sul tem uma taxa de desemprego elevada, que ronda os 23%. Muitos migrantes desconhecem o facto. Acham a África do sul é a terra das oportunidades, mas a verdade é que a vida aqui é muito dura para os migrantes”.

O especialista da OIM defende que “a prioridade deve ser informar os migrantes potenciais antes que partam sobre o que vão encontrar no destino, seja na África do Sul, seja na União Europeia (UE)”. (dw.de)

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