África do Sul: A defesa da honra e reputação

(BBC)
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A presidente do Parlamento da África do Sul, a senhora Mmatala Boroto, acaba de dar um excelente exemplo da forma determinada como deve ser defendida a honra e a reputação das instituições democráticas ao ordenar a expulsão do hemiciclo do deputado Julius Malema, antigo líder da organização juvenil do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla inglesa).

    A decisão, que mereceu um amplo apoio por parte dos partidos com assento no Parlamento, excepção lógica ao pequeno partido liderado por Julius Malema, resultou no facto deste deputado se ter recusado a retratar das acusações que havia acabado de fazer e nas quais atribuía responsabilidades directas ao vice-Presidente da República, Cyril Ramaphosa, na morte de 34 trabalhadores mineiros em manifestações realizadas em 2012, chegando mesmo a chamá-lo de “assassino”.
    Fazendo da polémica e das acusações falaciosas a sua grande “arma política”, Malema tem-se escudado por detrás das imunidades parlamentares que a Constituição lhe garante para desferir sucessivos ataques contra as instituições democráticas do Estado sul-africano, em particular a Presidência da República e o próprio Parlamento.
    Cansados de tantas acusações sem fundamento factual e fartos de verem Malema passear impune a sua irresponsabilidade pelos corredores da política, os deputados sul-africanos não hesitaram em aprovar a proposta da senhora Boroto, aplaudindo de pé quando a segurança do Parlamento obrigou o caluniador a abandonar a sala, visto este se ter recusado a fazê-lo pelo seu próprio pé.
    Infelizmente a forma de Julius Malema fazer política tem vindo a ser copiada noutros países africanos, onde as oposições habitualmente se unem para, dessa forma, tentar ocultar a sua incapacidade de cumprir a missão que lhe foi confiada pelos seus eleitores.
    Nalguns países, essas mesmas oposições esforçam-se por caluniar os detentores do executivo acobertando-se numa impunidade parlamentar que não consegue, porém, esconder da opinião pública toda a sua enorme irresponsabilidade e falta de honra.
    Pisoteando aquilo que é a vontade do povo, expressa em eleições livres e justas, essas oposições minoritárias julgam, para si próprias, terem um qualquer mandato, passado não se sabe bem por quem, para distorcerem a realidade e criarem uma espécie de “ficção política” na qual se julgam estar acima das leis.
    É por isso que a decisão tomada pelo parlamento sul-africano se afigura de uma enorme importância para todos aqueles que são defensores das leis e do respeito que estas devem merecer da parte de todos os cidadãos, sobretudo daqueles que foram mandatados pelo povo para os representar e nos quais se revêem.
    A honra das pessoas e das instituições públicas é um bem que deve ser sagrado e devidamente respeitado, por constituir a base da sustentação dos sistemas democráticos. Não os respeitar é o mesmo que estar contra a própria democracia, onde as oposições, quanto mais responsáveis forem mais possibilidades têm de um dia se transformarem em poder executivo.
    Para que isso suceda de forma consolidada é necessário que as forças externas que apoiam e incentivam esse tipo de comportamento das oposições assumam as suas responsabilidades e não queiram, para os outros países, aquilo que rejeitam para os seus.
    Não será por um mero acaso que por detrás de muitas oposições africanas, diríamos mesmo das principais oposições africanas, existem apoios de governos e de organizações não-governamentais estrangeiras, seja do financiamento de algumas acções ou até mesmo no ensino de “estratégias” capazes de forçar a criação de situações de instabilidade política.
    Os exemplos são vários e têm sido sucessivamente denunciados, mas mesmo assim não impede que se continuem a repetir, sobretudo nos países potencialmente mais bem apetrechados do ponto de vista de recursos naturais suficientemente fortes para serem capazes de suscitar riqueza e cobiça de interesses externos.
    Por esse facto, que motiva fortes divisões, muitos países ainda hoje vivem debaixo dos efeitos de conflitos armados, enquanto outros tardam em rumar determinados a um futuro melhor.
    O sentido patriótico que deveria nortear o comportamento de todas as forças políticas, sejam elas do poder ou da oposição, perde-se nas entrelinhas das estratégias internacionais das grandes potências que não olham a meios e recursos, para atingirem os seus objectivos de bem dividirem para melhor poderem tentar reinar.
    Deixando-se influenciar por esses “ventos” soprados do ocidente, muitas das oposições africanas estão a virar as costas às suas responsabilidades históricas e políticas de contribuírem para uma melhor governação, para a existência de uma verdadeira alternativa às medidas governativas e de serem dignos da confiança dada por quem nelas votou. Por muitas diferenças políticas que possam existir entre quem governa e quem está na oposição, deverá existir a consciência patriótica de colocar os soberanos interesses do país acima das meras disputas pelo poder, sobretudo se para que elas possam vencer se tenha que recorrer à difamação e à calúnia das instituições públicas e dos titulares do executivo.
    O mais curioso é que muitos dos países que incentivam e apoiam este condenável comportamento difamatório de algumas oposições africanas, reagem com determinação quando são internamente confrontados com este mesmo tipo de situações para com os autores de actos ou pensamentos que eles julgam possam colocar em causa o funcionamento democrático da suas instituições.
    Bastasse que eles quisessem para os outros o mesmo que querem para si, para que todos os Julius Malemas africanos ficassem reduzidos à insignificância para onde o voto popular os empurrou.
por Roger Godwin

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