Teatro angolano nos palcos de Cabo Verde

(Ja.co)

As artes cénicas angolanas voltam a marcar presença no Festival Internacional de Teatro de Mindelo (Mindelact 2015), que decorre de 18 a 27 de Setembro, na Ilha de São Vicente, Cabo Verde, com a Companhia de Teatro Pitabel.

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O encenador do grupo informou que “O preço do Fato” é o espectáculo escolhido para ser apresentado no festival, devido a sua importância no actual processo de reconstrução da cultura angolana, por chamar a atenção das pessoas para as contradições entre a tradição e o modernismo, num país em desenvolvimento.

O grupo, que participa pela primeira vez no festival, escolheu o drama de Cristina, uma jovem de 20 anos, natural de Mbanza Congo, que cresce em Luanda e vê a sua relação amorosa em risco devido à tradição, para mostrar um choque muito comum em vários países, particularmente os muito enraizados nas suas tradições.

Adérito Rodrigues disse ontem ao Jornal de Angola que o grupo criou uma caravana, composta por dirigentes e actores, e parte dia 17 de Setembro para Cabo Verde. O regresso está previsto para o dia 28 de Setembro.

O convite ao grupo representa, para o encenador, um reconhecimento pelo trabalho que os grupos de teatro angolano têm feito actualmente, em festivais internacionais de artes cénicas realizados nos países da lusofonia.

A razão do convite, justificou, surgiu também devido a participação do Pitabel, com a mesma peça, no Festival Internacional de Teatro da Língua Portuguesa (Festlip), Rio de Janeiro, no Brasil, em 2014. “O grupo recebeu o convite do presidente da Associação de Mindelact e do festival de teatro, Daniel Monteiro, que considera a participação do Pitabel uma honra.”

O Mindelact, adiantou, tem sido “um dos festivais de referência em África na promoção do teatro, assim como na valorização e descoberta de actores talentosos ou para maior desenvolvimento das artes cénicas”.

Para o encenador, num festival onde participam países de África, Europa e América é também importante aproveitar o momento para criar novas parcerias e aumentar o intercâmbio com outros grupos convidados.

“É ainda uma forma de explorar condignamente o diálogo entre os participantes e para apostar mais na internacionalização do Pitabel. A participação no Mindelact é ainda uma mais-valia por permitir mostrar mais ao mundo sobre a realidade social angolana, assim como aprender sobre outras culturas”.

Os ganhos

Na transformação de Núcleo para Companhia de Teatro Pitabel, o grupo, explicou o encenador, foi um projecto de teatro amador, sem fins lucrativos com objectivo principal de explorar técnicas e vertentes cénicas e ter encontros com a comunidade sobre os problemas e temas críticos da sociedade.

Actualmente, com o fortalecimento e a capacidade do grupo de teatro, o Pitabel ganhou uma nova imagem e realiza espectáculos com muito mais responsabilidade, disciplina e profissionalismo.

A apresentação da peça em Cabo Verde serve ainda para saudar o 15º aniversario da Companhia, no dia 4, e os 40 anos de Independência Nacional de Angola. Fundado em Luanda, o Pitabel já conquistou o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na disciplina de Teatro, e o Prémio de Teatro Cidade de Luanda. Agora, como companhia, pretende intensificar e dinamizar as suas actividades artísticas no país. (ja.co)

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