Sondagens desfavoráveis fazem Santana desistir

Pedro Santana Lopes (D.R)

Ex-líder do PSD recordou sempre ter dito que não “correria por correr” e que só avançaria se tivesse “fortes possibilidades” – que os estudos de opinião não confirmaram.

Pedro Santana Lopes (D.R)
Pedro Santana Lopes (D.R)

Surpreendendo o país político, Pedro Santana Lopes anunciou ontem, num comunicado enviado à Lusa, que não será candidato nas próximas eleições presidenciais.

No comunicado, Santana reconhece que sondagens menos positivas tiveram influência na sua decisão: “A generalidade dos estudos de opinião, sendo lisonjeiros, não me coloca numa posição cimeira, o que diminui o meu dever”, escreveu, acrescentando ainda que sempre disse que “não correria por correr” e que apenas iria a votos se tivesse “fortes possibilidades” de vencer as presidenciais. À direita, todas as sondagens colocam Marcelo Rebelo de Sousa claramente como o mais bem colocado.

O ex-líder do PSD disse ter tomado a decisão considerando os seus “deveres enquanto provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa” e também as suas “responsabilidades profissionais”.

Dizendo já ter noutras ocasiões recuperado de grandes desvantagens em sondagens, Santana ressalva que “a questão não é de coragem, mas sim a da noção do dever maior”. “E o meu dever maior”, acrescenta, “é com os projetos que estou a desenvolver na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e que quero mesmo concretizar, ao longo deste segundo mandato, por serem cruciais para muitos que sofrem”.

Desejando “felicidades a quem tomar a decisão de ser candidato à Presidência da República” e “muito especialmente, como se compreenderá, aos dois que estão anunciados” no seu “espaço político” (Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio), Santana explica também por que anunciou já a sua decisão, não esperando pelas legislativas, como tinha dito que faria: uma decisão negativa “em nada perturba nem mistura [presidenciais e legislativas], só clarifica”.

O DN apurou que Santana continua a a considerar que o partido não deve apoiar ninguém à primeira volta. Opinião que também tem sido defendida por outras pessoas dentro PSD, entre as quais Marques Mendes.

O atual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa já tinha afirmado em maio deste ano, num entrevista ao diário desportivo A Bola, que não não tencionava ser candidato a Belém. Ainda assim, continuava a ser considerado um potencial candidato tanto dentro do PSD como pelos analistas políticos.

“Quando decidir, aviso”

Em janeiro, Santana Lopes admitia ao DN a hipótese de avançar com a candidatura a Belém, mas dizia que a sua candidatura nunca “seria contra ninguém”: “Disse que não aceitava ser excluído das hipóteses à direita para as presidenciais. Excluído já não estou. Estou incluído nelas. De hipótese a candidato ainda vai uma distância. Quando decidir, aviso.”

Um mês depois mudava de planos, anunciando que só decidiria se avançava na corrida à Presidência após as legislativas. “Tudo aponta para que esta matéria das presidenciais cada vez mais deslize para depois de outubro, como muitos queriam (…). Acho que sim [que vou esperar por outubro]. Tenho defendido sempre e continuo a pensar que em tese deve ser assim, que as presidenciais devem misturar-se o menos possível com as legislativas”, declarou na altura Santana Lopes na SIC Notícias, no espaço semanal de comentário que partilha com o antigo ministro socialista António Vitorino. Uma declaração feita pouco tempo depois de se ter encontrado com Pedro Passos Coelho em São Bento para esclarecer a sua posição sobre as eleições presidenciais.

Santana salientou a dificuldade de tomar esta decisão, sobretudo quando “há 36 anos, de um modo ou de outro, se estuda, se lida, se investiga, se publica, se trabalha sobre a função do Presidente da República no nosso sistema de governo e, de vários ângulos, se lidou com o desempenho da suprema magistratura da nação”. (dn.pt)

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