Simões Pereira pede ajuda a Angola

Domingos Simões Pereira (DR)
Domingos Simões Pereira (DR)
Domingos Simões Pereira (DR)

O primeiro-ministro demitido da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, pediu a ajuda de Angola na aplicação das leis da Guiné-Bissau para a reposição da legalidade.

Em declarações ontem à Rádio Nacional de Angola, o primeiro ministro demitido da Guiné-Bissau disse esperar a compreensão que o seu país sempre teve de Angola.
“Esperamos a compreensão, que sempre tivemos de Angola. Angola é um país amigo, é um país irmão, o MPLA é um partido irmão do PAIGC. Esperamos que continuem a fazer o acompanhamento da situação e no momento certo possam posicionar-se”, disse o também presidente do PAIGC.
O político guineense lembrou que Angola é membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com vários fóruns de intervenção. “Esperamos de facto que Angola mantenha este acompanhamento e possa ajudar-nos na aplicação das leis existentes na Guiné-Bissau para se fazer a reposição da normalidade. Porque isso é uma absoluta aberração à Constituição e a todas as leis aplicáveis no nosso país”, frisou.
O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, apelou recentemente aos políticos da Guiné-Bissau a consolidarem e respeitarem as instituições de direito saídas das eleições gerais, no sentido de garantirem a pacificação do país e a confiança da comunidade internacional.
Ao comentar a decisão do Presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, de demitir o Governo liderado por Domingos Simões Pereira, o ministro Georges Chikoti disse que “ninguém vai fazer as coisas pelos guineenses se eles mesmos não respeitarem os conselhos que lhes são dados por Angola, pelo Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pelos mediadores e por outras entidades envolvidas”. O ministro das Relações Exteriores classificou na altura a situação de “preocupante”, pelo facto da Guiné-Bissau ter chegado aonde chegou depois da realização de eleições gerais muito concorridas e que davam garantias de um futuro de grande estabilidade política. Georges Chikoti considerou na ocasião que, apesar da crise política “que parece ser profunda”, Angola continua a trabalhar, a nível das Nações Unidas, da União Africana (UA), da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, da CEDEAO e de outras organizações internacionais no sentido de ajudar a Guiné-Bissau a voltar à normalidade política.
De acordo com o ministro Georges Chikoti, a nível da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa pode ser convocado um encontro com os peritos para abordar o assunto, pelo que Angola reafirma o seu apoio aos países que se envolvam no processo para pôr fim à crise.
A Guiné-Bissau vive uma situação de crise política depois do Presidente da República, José Mário Vaz, demitir o primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, nomeando em seu lugar Baciro Djá, também do PAIGC. O primeiro-ministro destituído da Guiné-Bissau anunciou que o seu partido vai impugnar o decreto presidencial que nomeia Baciro Djá.
O líder do PAIGC assegurou ainda que o seu partido vai responsabilizar o Presidente da República, José Mário Vaz, política e judicialmente, pela crise política a que submeteu a Guiné-Bissau. Domingos Simões Pereira disse que não está derrotado, mas sim “muito triste” por ter acreditado muito no país que se estava a desenvolver, ganhando confiança da sociedade. “Agora vamos mergulhar numa luta que ninguém sabe os contornos que vai assumir”, afirmou. (jornaldeangola.co.ao)

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