Salanga com ”Progresso”

(ja.ao)

O artista plástico Salanga Yango Ricardo negou, quinta-feira, em Luanda, haver grande diferença entre as obras feitas por criadores angolanos e estrangeiros.

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O pintor faz essa afirmou ao Jornal de Angola, por ocasião da inauguração da sua exposição  “O Regresso”, que os artistas nacionais conceituados têm qualidade para expor nos principais salões de exposições do mundo.

Salanga Yango Ricardo, que residente há 22 anos em Portugal, apelou a classe artística angolana a apostar cada vez mais em pesquisa e investigação, por formas a acompanhar a evolução do mundo tecnológico.

Considerou, por outro lado, que o crescimento as artes plásticas em Angola depende de políticas específicas e exequíveis, que permitam uma maior divulgação dos trabalhos dos seus criadores.

O artista plástico é de opinião de que Angola deve acompanhar a dinâmica dos outros países, com a construção de museus específicos e de promoção das artes, por formas a representar a história de cada disciplina artística.

A exposição

A exposição “O Regresso”, patente até o dia 31 deste mês, no Salão Internacional de Exposições (SIEXPO), no distrito urbano da Ingombota, em Luanda, explora o universo da relação animal, do homem com o exterior, com destaque para a promoção das reuniões entre povos, por forma a demonstrar a convivência entre os seres.

A ideia de promover o convívio, disse o artista, surge por formas a enaltecer a união como aspecto a preservar para preservar e manter a paz, “justamente numa altura em que o país comemora 40 anos de Independência”. O artista fez recurso a imagens com movimento, com misturas de cores quentes (amarelo, laranja e vermelho) para mostrar a união entre seres da mesma espécie.

O destaque recai para os quadros que promovem e preservam os hábitos e as tradições do povo angolano e a estreita ligação com as raízes africanas.

Em “Família guerreira”, “Bailado”, “A máscara” e “África Nossa”, que compõem parte das 25 quadros inéditos, feitas com as técnicas do óleo e acrílico sobre tela, são visíveis imagens de povos trajados com adornos característicos em típicas manifestações de algumas regiões em África. O autor faz ainda homenagem ao kwanza, na peça “Moeda Nacional”.

Nas peças “O amor”, “A vida activa em família”, “Amor de papagaios”, “As camponesas” e “As vacas vermelhas” são visíveis a afeição entre homens, animais e as plantas. A relação do homem com o mundo tecnológico, um fenómeno que ganha espaço nos dias de hoje, é focado “O homem e a máquina”.

O percurso artístico de Salanga Yango Ricardo começa em Buco Zau, na província de Cabinda, onde nasceu a 15 de Outubro de 1964. Fez os seus estudos primários, secundário e superior na Academia de Belas Artes de Kinshasa, onde realizou várias mostras individuais e colectivas.

Em 1986, a convite da Academia de Belas Artes de Paris, efectuou um estágio de pintura, com a duração de um ano, em França. Em 1990, residiu em Luanda, onde tinha um atelier no Centro Recreativo e Cultural Njimu (Ex-Edal), no Bairro Hoji Ya Henda.

Salanga Yango Ricardo é membro da União Nacional dos Artistas Plásticos de Angola (UNAP). De Junho de 1994 até Abril de 1995, chefiou o gabinete de desenho e pintura na “Leal Publicidade”, em São Jorge, Porto de Mós, em Portugal. (ja.ao)

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